25 outubro 2013

(for a film)

Sempre fui o tipo de cara que faz o que tem que ser feito sem pudores.
Nunca fui do tipo que se preocupa ou deixa de fazer algo pensando no que vão achar: eu quero que se foda.
Apesar dessa minha filosofia (que sigo a risca, não há quem me faça fazer o que não quero), podem me chamar de "nice guy", vai.
Se meu humor permitir, gosto de ouvir, de discutir. Se você me der algo muito bom e divertido em troca, sou até amoroso.
Mas não estou aqui para falar de mim, muito menos de você, óbvio. Falarei dela.

Ela entrou na minha vida por meio de terceiros, mas sei que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde.
Na verdade não falarei dela, falarei do jeito que ela chora.

Da primeira vez que  presenciei isso, quase chorei junto.
Que saco que foi aquilo, puta que pariu.

Foi um saco, não queria vê-la assim, nunca. Estávamos os dois num café e eu fiz a merda de citar o trecho de uma música (de uma banda que gostamos pra caralho, diga-se de passagem) que caía como luva naquele diálogo.
Foi uma merda mas foi bonito também. Meu choque assustou seu choro.
Foi um choque ver tanto sentimento em poucos mililitros de água.
E era só água, sem álcool.

Alguns anos se passaram e tornei a presenciar esse fênomeno.

A festa havia acabado, todos haviam ido embora, sobramos os dois.
Dançamos, rimos, conversamos, dançamos. Não lembro agora que raio de critério estávamos aplicando na escolha da trilha sonora. Ela não lembra nem disso, então não me culpo.
A única coisa que sei é que a bendita música começou a tocar, e eu só fui entender qual era a relação disso tudo, muitos dias depois.

Eu fumava em pé, meio sem saber se queria sentar no meio daquela zona, ou se queria dançar.
Na verdade eu não comandava muito bem meus movimentos.

Ela estava de costas, com o peito no parapeito da varanda.
Era tênis, meia calça, shorts e camiseta cobrindo aquela magreza que eu já acostumei ver.
Era tênis, meia calça, shorts e camiseta cobrindo um silêncio anormal.
Era tenis, meia calça e a porra toda com o movimento concentrado num subir e descer de ombros ritmados, e que aumentavam cada vez a intensidade.
No meio das mãos, escondia parte dos excrementos que negamos por toda a vida: uma mistura nojenta de lágrimas e catarro, mas não era feio.

Eu nem sabia o que fazer ali, só me aproximei e falei do jeito que consegui pra me contar o que estava acontecendo. A resposta era silenciosa. Não conseguia nem falar, só balançava negativamente a cabeça como um "Não é nada." Não é nada meu cu.

Como já falei, é um choro tão cheio de tristeza, tão absoluto, tão maldito que me fode a vida.
Quando já não conseguia mais abafar o som, soltou alguns sons não identificados e me abraçou com uma força que quase me dobrou ao meio, quase me envergou como vara verde.

Ela ali, mergulhada naquela poça de catarro, tristeza e água salgada, e meu corpo sinalizando algum evento inesperado do momento.
Era fato, ela me abraçou tão forte, aquela tristeza era tão terrível, a música era tão fodida...
Incrível como cada um reage de um jeito em certas situações.
Eu, ali, no caso, estava passando por um momento delicado: alguém resolveu acordar sem aviso no meio daquela confusão.

Ela estava num estado, que não separava as partes dos acontecimentos.
Continuava abraçada, com o movimento único dos ombros.
Num dia qualquer ela diria "Me respeita, caralho. Respeita esse sofrimento.
Ali, parecia ignorar ou apenas relevar o fato.
Fiquei sem graça, ela só me abraçou de lado e continuou no ritual das lamúrias molhadas mas não dava. Saí pra ir no banheiro, fiz o que tinha que fazer, voltei e ela me abraçou do mesmo jeito: de novo de lado.

Essa filha da puta não falou nada. Não queria falar daquilo e logo tratou de desmaiar.
No outro dia, acordou revigorada, mas não lembrava de porra nenhuma.


um pra frente, dois pra trás

"Não tenho disponibilidade para cuidar dos outros. Suportar o peso da minha própria vida, carregando a solidão, já me exige muito esforço." MURAKAMI, Haruki. 1Q84 (Livro II). Rio de Janeiro: Objetiva. 2013.

obs. o título poderia ser "murakami dá mas também tira"

23 outubro 2013

com. tempo

deixa passar o dia ruim
que a tempestade resolve com Deus

05 outubro 2013

de. tempo

mas tudo bem
o dia vai raiar

10 setembro 2013

n e o

Foi numa tarde ensolarada que conheci Neomisia.
Talvez na melhor circunstância possível: um tipo de soul train feito com jazz funkeado. Um sucesso de audiência e público.

Desde a primeira menção fiquei curiosa, mas entendi claramente: era Neomisia. E para as surpresas que a vida reserva,  quase minha vizinha de quebrada.

Dizia que seu nome não cabia num punhado de coisas e eu entendo bem como é disso.
Ser Kelen, mesmo numa condição ortograficamente menos complexa também trazia desgaste. Desgaste que saia dos tempos atuais com vídeos de comédia em que só existo na garrafa pet do D olly, e voltava aos de escola. "Por que não 'Kelly' como todo mundo?" eu perguntava com raiva para quem escolheu o nome. "Você não é todo mundo!" era a resposta que ele me dava. Aposto que o pai de Neomisia pensava o mesmo.

Neomisia, parece nome de musa, de deusa, amiga de Dionísio que traz Obá pra vida alheia.
Deve ser por isso que sempre inspira com suas cores e evoca a mim verbos no imperativo: vá, corra, ame...
Deve ser por isso que consegue me arrancar das entranhas gargalhadas, mesmo que por meios digitais.
Foi tal poder que completou um pedaço do vazio de um dia de junho, que me vê cabendo dentro de quem não pertenço...

"Espalhe Neomisia por aí!" conversamos um dia. Me parece extremamente necessário.

Entendo a sede e a inquietação da vida, a agonia de não caber dentro do que nos cabe, a ganância do existir por inteiro.
Não é fácil ser grande, não dá pra chegar sem se derramar,  não dá pra ser pouco dentro do outro.
É difícil,  mas um dia haverá espaço suficiente para pousar de braços abertos.

Continue, espalhe-se.

04 setembro 2013

Saudações. 

Me lembro como ontem desse primeiro "Saudações", sabia?


Não precisa se desculpar, nunca. 

Sei que foi um hábito que você adquiriu por força maior e não vejo a hora em que irá largá-lo.: você nunca precisou disso.

Sei que sempre falei desse entusiasmo, mas acho que tomei parte dele pra mim, sabia? 
De repente tudo o que você projetava  (pensando no singular) não me parece mais absurdo, consigo entender como as coisas podem ser fáceis. 
É incrível como (a falta d)o peso muda a vida da gente.

Vi suas fotos: que beleza! Imagino bem qual tipo de dia você se referiu, é um bom tempo. 

Estive por aí semana passada, com aquele tempo que sempre comento, sabe? 
O calor colorindo as flores dos vestidos? Aquele com um solzão em que os corpos aparecem sempre com um dourado natural. 

Minha passagem foi rápida, também não me recordei dessas poses, talvez porque não as tenha feito. A passagem foi ótima, os contaots também restritos. 

Não havia sonho nem cobrança, talvez por isso esteja aqui com um ar tão leve. 

Fique. 


Não haverá nada que diga alguma coisa sobre isso tudo.

Fique bem, mas fique.

O sabor do café das minhas manhãs adquiriu algumas cores. Não tem como não me lembrar disso de copos coloridos. 

Espero que não esbraveje, mas me mandar a xícara com remetente foi pedir uma resposta. E se não foi essa a intenção, bem, eu te devia uma de qualquer jeito. 
Quanto ao gengibre foi fácil: não o comi, como sempre. Virou um tipo de ritual! 

03 setembro 2013

dos dias

i'm gonna work it out
'cuz time won't work it out for u

26 agosto 2013

os dias

Para quê cicatriz, se a carne espera
Sobre o vão da ferida mais um corte

28 julho 2013

command F

Tudo começou assim: a briga.
Havia brigado com a matriarca na véspera: como se encontrariam?

Ela não entende como a filha se tornou o símbolo da desor dem ganizacão, e a filha no fundo também não sabe o que (não) aconteceu durante sua formação. Não herdara nenhuma característica deste tipo, presente tanto na mãe, quanto no pai.

Fora os problemas de foco, problemas que finge ignorar, executou parte da tarefa que lhe foi designada e entregou-se aos planos que havia feito. Terminaria tudo amanhã para reparar os danos da noite anterior.

Acordou, levantou, foi até a feira e calmamente tomou o café da manhã que queria. Mordia cada parte do pastel como se fosse a última, acrescentava vagarosamente os molhos, fechava um olho pra tapar o sol até terminar todo o ritual.

Voltou para casa bem devagar.
Ao caminhar sentia o corpo por baixo de três blusas aquecer naquele sol de inverno: seu "tempo" preferido. 
Ao chegar em casa, sabotou as tarefass. Seria injusto ficar ali.

Sua mãe assinaria sem dúvidas o termo de reavaliação de feto adulto. CASO fosse possível devolver à suas entranhas, 1,70m pesando 57,7kg, seria naquele dia que o faria.

Atrasada, vestiu-se e seguiu o caminho fazendo a mesma expressão: fechava ligeiramente um dos olhos e observava a janela com o outro. De tempos em tempos fechava os dois olhos, ou sorria.

Chegando ao destino, não havia nada mais que conversas triviais e a vontade de fazer nada durante um tempo.
Andaram, esquentaram, riram e choraram, ainda de rir, da quase desgraça alheia.
"Estão bem loucos." alguém falou.

E foi no meio de toda essa bagunça que apareceu caminhando meio estabanado, apressando com um olhar certeiro dentro dos milésimos de segundos mais rápidos do planeta.

"Me encontre." São apenas 15mil miniaturas para você achar o que alguém perdeu por aí.

E a mãe? O contrato está assinado, e é pra toda vida. 
Ela nunca entenderá o que se passou na semana que antecedeu este final. 
Um dia, sentarão na cozinha ou estarão andando pela cidade e falarão sobre isso.

Ela nunca vai entender a necessidade de estar em contato com qulquer tipo de imprevisto, ou de entregar-se ao nada vez ou outra. Ainda mais para aqueles que não sabem viver sem planejar as coisas.

Ela nunca vai encontrar a filha num dia frio com um sol lindo, caso a filha não peça

"Me encontre!"

09 julho 2013

Saudações! 

Desculpe pelo final de semana passado, como você notou, não estou mais por aí. Não avisei pois tinha medo de fazer com que mais um plano meu não desse certo.
Você sempre falou do otimismo em que eu os fazia sem medir as possibilidades de realização. Dessa vez consegui!

 Cheguei por aqui num dia lindo com aquele tempo que eu sempre comento, sabe? Aquele com um solzão e temperatura amena, em que calorentos e friorentos são felizes. 

Passei os dias fazendo tudo aquilo que comentei, só não consegui as poses originais em lugares clichês. Na verdade, só me lembrei disso depois de olhar as fotos. É muito difícil inovar nesses casos, mas algumas saíram incoscientemente. 

Não sei se eu havia comentado contigo qual era o meu maior sonho no meio disso tudo, talvez o tenha feito em alguma enxurrada de palavras, não lembro... 
Dei essa volta toda (presente nas cartas e sempre descritas como um meio de enrolar, lalalala e tudo mais) só para falar disso. 

Os contatos externos estavam restritos àqueles que criaram a minha existência e aos pelegos que ajudaram de alguma forma a realizar tudo isso. Mas no exato momento em que estava lá, no topo de um dos meus sonhos, selado num presente seu, não me segurei. 
Chorei como se com as lágrimas pudesse retirar todo o peso das botas (e isso seria outra carta, porque esse livro tem a sua cara), tentando esvaziar tudo que era possível, no exato instante em que você se manifesta. Coincidências, falamos disso, até que ponto elas chegam? Não sei dizer. 
Quis colocar de um jeito impessoal a emoção daquele momento, talvez tenha conseguido. 

Desculpe não colocar o remetente, vaguei por um tempo e esse ar é realmente diferente. 

Ficarei.

Como dissemos, não haverá nada que diga alguma coisa sobre tudo isso, só te mandei essa xícara esperando que os teus dias amanheçam com sabor, e um pacote de biscoitos de gengibre pra te sacanear, claro.

01 julho 2013

foi o que me disse naquele dia em que secou todas as orquídeas que eu havia plantado.
nunca soube o trauma que passei para aprender a plantá-las. minha mãe sempre teve ótimas mãos para plantar o que é que fosse. não tem nem o primeiro grau de escolaridade concluído, mas sabe direitinho qual planta brota a partir de uma folha, por exemplo.

um dia, acordei numa dessas noites barulhentas acreditando no fim das nossas vidas.
não pensava na morte, pensava no fim do amor que um desconhecido plantou no nosso jardim. um nosso meio meu, meio seu, as vezes nosso.

observei minha mãe com seu dom mas nunca o entendi completamente. tentei a orquídea uma vez, não deu certo. um desconhecido que sempre odiou plantas, pegou a minha muda, morta e fez brotar várias dela a maior quantidade de flores que já vi numa só orquídea.

nunca entendi.

desta vez parecia que as flores iriam brotar daqueles galhos finos e incertos.
mas não faço ideia de qual seria o resultado. com certa impaciência e ceticismo, tudo foi arrancado por ali.
eu precisava ver se a planta morreria em poucos dias, eu precisava ver para saber que tenho mãos amaldiçoadas para o plantio.

"R.I.P., você e suas malditas orquídeas."

foi isso que me disse naquele dia, secou as orquídeas que eu havia plantado e fez questão de alagar junto da terra, todo o resto.



15 junho 2013

eis então que um dia acordou e não sabia seu próprio nome.
habituou-se a criar tantas possibilidades que poderia muito bem negar seu nome de batismo. não seria mais pedro: seria césar, breno, igor...

não sabe dizer ao certo quando começou com isso, mas percebeu que as coisas estavam fora de controle. naquela noite ao voltar pra casa, imaginou exatas trezentas e setenta e nove possibilidades para um mesmo acontecimento. juntava peças, fatos, atos e impressões e dentro deste repertório, fazia combinações exatas.

sairia de casa sozinho, iria ao cinema sozinho, voltaria pra casa e dormiria sozinho.
iria ao cinema sozinho, encontraria um rapaz por lá com os ingressos esgotados, voltaria pra casa acompanhado e dormiria sozinho, ou acompanhado. quem sabe.
iria ao cinema acompanhado por um rapaz, voltaria pra casa sozinho e dormiria sozinho.
iria ao cinema acompanhado por uma moça, voltaria pra casa acompanhado, dormiria acompanhado e acordaria leve por ter colocado um peso no passado.
sairia de casa vagando para tomar uma cerveja, voltaria pra casa pra ver um filme qualquer no computador e dormiria.
apenas dormiria.

acordou.

olhou para o lado e não sabia se o que via era exatamente realidade ou se o seu imaginário estava mais traiçoeiro que o normal.

levantou, escovou os dentes, sentou na varanda e fumou um cigarro. a sua volta, não reconhecia a própria casa. fumando, não reconhecia seus próprios dedos. era como se uma pessoa alheia fizesse o movimento do trago. o que aconteceu?

colocou o chinelo e foi andar um pouco na rua. aos poucos foi reconhecendo o lugar. só estranhou que a cada bom dia, o vizinho dizia joão, o dono do bar césar, a da bomboniere breno e o padeiro, igor.

08 junho 2013

seria um arraial
daqueles de quebrar o dente com pé de moleque

daí acabaram os doces
e o plano não saiu do quintal

03 junho 2013

adorava ressaltar o quão era diferente.

"nos domingos, será uma briga!" dizia.

adorava separar o que estivera junto, seja lá por quanto tempo fosse.

goiabada de queijo minas
as duas partes de um imã
feijoada de couve
os coringas do baralho
morango de chantilly
duas peças de lego
o par de meias...

tênis, meias, luvas sempre foram vendidas aos pares.
sem dúvida alguma, compraria sempre as peças unitárias e diria que "o uso conjunto se dava a partir da necessidade de manter a coerência |  a conveniência". apenas por isso.

no fundo, tem seus próprios pares montados nas ideias.
no fundo, deseja comprar um par pronto de meias que sejam diferentes e se completem entre si.
no fundo...

observou a combinação e gostou, mas gostava mais de ter razão sobre como tudo era desfeito.

adorava quando convergiam, quando um era um fragmento de uma sequência e outro nota de um som.
quando um morte o outro sorte. até quando resolver parar de negar o que realmente é.


31 maio 2013

nunca teve o paladar para vinhos.
quando jovem, entornava o tipo "tinto suave" que na verdade era uma mistura ingrata de melado com álcool. misturava com leite condensado no ponto de ônibus, colocava na mochila e a fermentação seria ingerida na região central da cidade em que vivia.
quantos anos tinha? quatorze anos no máximo. nunca teve paladar para vinhos.

num dia desses, feriado santo diga-se de passagem, recebeu algumas ligações enquanto se recuperava na noite anterior (noite essa em que a "nata", o "soborô", os "tru" estariam reunidos falando, se atropelando de um jeito engraçado e se exaltando por pixação).
seria o reencontro efetivo de pessoas diferentemente parecidas, parecidamente diferentes, opostas, complementares. que seja, foram misturadas pelo acaso.

juntariam as conversas num charmoso bistrô da periferia. lugar que tem parte significativa na vida de cada um. o morador local, de modo rotineiro; a visita ilustre, de modo nostalgico; e por fim a visita local, em que o significado foi marcado pelo fim/começo de uma nova era há alguns anos atrás.

inverno gostoso, lugar agradável a pedida era um vinho com algum nome estranho.
dois que estavam ali discutiram rapidamente o que seria escolhido, qual era seu tipo, sua uva e o acompanhamento.

nunca teve paladar para vinhos, não entendia aqueles nomes. só sabia o que era suave e seco, quer dizer, pensava que sabia. essa foi sua primeira gafe: vinhos suaves não são necessariamente doces.

"peça um vinho doce, não suave."

guardou essa informação e acatou, mas não deixaria de provar os outros também.

lembra nitidamente como detestava cerveja e hoje em dia, consegue listar em uma mão as suas preferidas. resolveu encarar o tal do vinho, sabe-se lá o nome, a uva, a safra, o que for...

o amargor da bebida misturado ao estado em que já se encontrava, num primeiro momento pareceu uma combinação impossível. intercalava com a água sem gás vez ou outra mas foi a chegada dos queijos, caldos e afins que transformou toda a experiência.

naquela mesa havia a nostalgia de outros encontros, uma pequena muda de roupas para ser lavada naquela noite e uma quantidade grande de mágoas que não deveriam, em hipótese alguma, ser mencionadas.

tudo foi tomando um rumo agradável, as risadas, as brincadeiras. aos poucos. nenhum assunto com o terceiro grau de queimadura foi abordado. "Graças a Deus! pensou repetidas vezes.

a reunião se prolongou, atravessou avenidas, cortou pizzas, cervejas, salas...
nunca teve paladar para vinhos, mas a partir de agora, era quase um sommelier.

(até parece)
- tá dormindo?
- hmmm, não
- tá tudo bem?
- uhum
- você não parecia muito alegre hoje
- não é nada demais
- fala
- não liga pra isso, é coisa minha
- sério?
- sério!
- sendo coisa sua é um pouco minha também
- não necessariamente....
- mas que coisa, fala logo
- riso
- e ainda ri. você se diverte com isso né?
- menos do que eu gostaria, daydreamer
- você sabe que vou ficar te perturbando até você falar, né? daydreamer, quem vê assim...
- riso
- chega aqui mais perto então, você e seu silêncio

25 maio 2013

quase foi presa
gritava ensandecidamente:

SEQUEM ESTE RIO!

mas ninguém entendia, nem ajudava

23 maio 2013

.

para o novo, teria que mudar:
velhos hábitos
trilhas sonoras
alguns comportamentos

para o novo, teria que escrever:
novas histórias
manter os ouvidos atentos
mover-se de maneira diferente

para o novo, teria que entender que é preciso retirar de tudo um pouco
aproveitar mais das coisas
para o novo, teria que entender que não é possível aplicar as mesmas regras
planejar menos e vangloriar o agora
para o novo, poderia mudar apenas o necessário, o que estivesse fora da essência
o que for bom de mudar

menos cuba
cuba é um plano que nunca foi nosso (nem seu, nem dele)
é a única promessa que sempre será feita, refeita
é um plano, um objetivo, um sonho meu

só meu

12 maio 2013


Durante um longo tempo (lembrando que a sensação de "longo tempo" é subjetiva) traçou o mesmo caminho pós-trabalho. Embora cada ida estivesse acompanhada de um contexto diário, a sensação era sempre bem parecida. Poderia estar feliz, triste, ansioso, furioso, cansado ou sei lá...

No começo do caminho decidia se levaria ou não algum chocolate. 
No meio, tentava adivinhar em qual mesa estaria. 
Seguindo pela mesma reta e sempre do mesmo lado, listava o que precisava perguntar. 
Chegando na entrada do edifício, preocupava-se com sua entrada triunfal, como seria visto caso estivesse sendo observado, essas coisas.
Era sempre um turbilhão de coisas como se aqueles encontros fossem sempre a estreia de algum evento.

Sempre chegava, o coração acelerava, as mãos suavam um pouquinho com -25% da precisão e as pernas exerciam parte das funções. Poderia ser uma doença crônica mas parecia algo mais sério: sempre regressava com o coração transbordando.

Durante duas semanas traçou o caminho da casa pro trabalho escolhendo perfeitamente o que iria ouvir no celular. Não permitiria que o shuffle lhe desse uma rasteira "Shuffle é para os fortes!" disse a um amigo.

A saída do trabalho parecia uma ilusão, como se a sexta-feira pudesse trazer as cores de volta. A partir de então passou a detestar esse dia da semana.
Na última, fez um plano aparentemente simples: veria aquele filme que a duas semanas não havia conseguido, tomaria um chocolate quente e voltaria para casa. 
Eis que trocaram as sessões de sexta, o filme seria exibido em um horário em que não conseguiria voltar a salvo. Tentou mudar os planos, tentou contatar os amigos para talvez beber uma breja, tentou procurar outra sessão, tentou, tentou… 
Decidiria seu destino no caminho.

Olhava a tela do celular, abria  o aplicativo, digitava, apagava e bloqueava o celular.
Abria um site no computador, escrevia, lia, apagava e fechava o site. Abria outro, escrevia, lia, pensava, apagava e fechava… Ficou nesse processo por cerca de trinta minutos. Decidiria seu destino no caminho.

Saiu do trabalho, comprou um chocolate. Preparou o que iria ouvir, colocou todas as músicas para tocar no Shuffle, pensou "Shuffle e foda-se!" e foi. Se o shuffle fosse um de seus amigos diria "Se fodeu!". Não sabia dizer como e nem porque mas talvez a sequência trouxe um cheiro familiar para o trajeto.

Percebendo que estava no meio do chocolate chegou ao meio do caminho e tentou pensar em que mesa estaria. 
Seguindo pela mesma reta e sempre do mesmo lado, chorou lembrando da última em que estivera sentado e listou tudo o que deveria ter perguntado. 
Chegando na entrada do edifício, preocupava-se com sua entrada pois havia sido enganado pela esperança, não havia ninguém ali. E se estivessem monitorando seu choro? Era a estreia de um evento e não estava preparado para ficar ali, sozinho.

O coração acelerou, as mãos suaram demais, tremeram e perderam 50% da precisão. As pernas não exerciam suas funções, sentou. Poderia ser uma doença crônica mas parecia algo mais sério: não havia mais nenhum local para dar vazão. Nem sequer uma nascente… e como é difícil achar um rio limpo em São Paulo.

city and color - what makes a man

10 maio 2013

"(...) rimos da nossa fraqueza em não dar a volta por cima, rimos do nosso silêncio sem sentido, rimos desses casais que se separam logo na primeira crise, rimos da falta de forças para enfrentar os maus bocados, rimos, rimos, rimos…. 

E um casal que ainda ri junto tem muita lenha verde para gastar no feijão com arroz da existência."


SA, Xico. Quando o amor ata, desata e reata. Maio, 2013. Disponível em: http://xicosa.blogfolha.uol.com.br/2013/05/10/quando-o-amor-ata-desata-e-reata/

03 maio 2013

Tempo

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14 abril 2013

en.cha.te.cer



1. tornar-se chato.

Morrer é parte integrante do viver; as células começam a 
envelhecer assim que nascemos e vamos enchatecendo durante a sobrevivência. (notícia do jornal O Estado de São Paulo de 16 de fevereiro de 2008)


Aos poucos reduziu a quantidade de sorrisos espalhados, os abraços dados, a simpatia que carregava no "bom dia" e o carisma que costumava ser o seu cartão de visitas.

Aos poucos começou a trocar balada por bar, bar por cinema, cinema por sofá, sofá pela cama e a quantidade de tempo em que ficava de olhos fechados, só aumentava.

Aos poucos começou a trocar os shows por concertos, os concertos por apresentações com couvert, couvert por sofá, sofá pelo rádio e a quantidade de tempo em que ficava com os  ouvidos fechados, só aumentava.

Aos poucos começou a trocar as lanchonetes por restaurantes, os restaurantes pela cozinha de casa, cozinha de casa pelo sofá e a quantidade de tempo em que ficava com boca, dentes e silêncio imóvel, só aumentava.

Aos poucos, reduziu a porção de si. Começou a trocar-se por menos, menos por pouco, pouco por pouquíssimo e chegou ao nada. 

17 março 2013

Grafia


Quando tinha uns seis anos de idade, começou a escrever no caderno de caligrafia pois segundo o seu pai, sua letra era muito relaxada por pertencer a uma menina.

"Quando você quer, escreve bonitinho mas parece que você nunca está afim…"

Algum tempo depois ele descobriria que o motivo dos garranchos era o desespero de fazer toda a lição com pressa pra ir conversar/atazanar os coleguinhas de classe.
Depois de muito penar, as letras começaram a sair com aquelas curvinhas no "q", arabescos no "H" e também na letra inicial do seu nome. Era um "K" demorado, com a base do "H" e uma outra curva que inventara.
No decorrer da vida escolar, a letra sofreu poucas modificações até continuar bonita, organizada, legível mas que pudesse reproduzir rapidamente todos os textos que copiava.

O primeiro rompimento foi o curso técnico. A mudança aconteceu de forma natural e só tomou conta disso quando deixou um bilhete em casa e o pai questionou a autoria, estranhando a grafia feita. Foi a primeira mudança de muitas, a confiança começou a dobrar e esquina mas trazia consigo uma loucura que não sabia definir direito. Sem falar da organização que se perdeu, nem sabe aonde.

Hoje em dia, ao olhar todas as anotações que faz para o trabalho, não reconhece mais a identidade que deveria existir na grafia. Dizem que é possível fazer uma análise inteira a partir de como a pessoa escreve. 

Como delimitar uma personalidade? Como avaliar alguém que possui uma letra pra cada situação?

11 março 2013

"A senhora foi namorada do vô?
Fui sim. Eu era bem novinha. Achava que ele ia me levar embora como dizia. O amor é o coração do desespeiro."

(GALERA, Daniel. Barba ensopada de sangue. 1a. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p. 305.)

06 março 2013

post-it I

incômodo

Desde ontem acordou para procurar os documentos. Embora fosse o exemplo vivo de desorganização na Terra, sempre perdia as estribeiras com a mania que a mãe tem de guardar os documentos todos juntos. Não queria que questionassem sua vontade, então aproveitou que todos estavam na cozinha para procurar.
Vasculhou todos os lugares, acabou o mistério, teria que desvendar tudo com um pedido "Mãe, preciso de um documento...". Voltou para tomar banho, lembrou da sua última consulta e o achou no meio das suas coisas. Glória!

Acordou quinze minutos mais cedo desejando apenas que todos dormissem até a hora em que dobrasse a esquina. Vontade inútil. Ao acordar já ouvia o movimento doméstico. Seu pai sempre acompanhava parte do percurso, por que seria diferente hoje?

Estava de mau humor. Era uma mistura de sentimentos, queria ficar em paz, não aguentava mais satisfações, queria se equilibrar em algo que fosse só seu e odiava quando todos os desejos beiravam a ingratidão. Não era isso...

Estava de mau humor, um dia antes o pai havia relutado um pedido simples. Tentando reparar a estupidez, voltou atrás "Quer que eu vá buscar pra você?". Palavra dada e nunca esquecida, é assim que funcionava "Não precisa não. Sempre me virei sem a ajuda dos outros" era a resposta dada em todas as vezes que o amargor toma conta de si e apaga toda a gratidão que carrega sempre no peito.

Ao sair, a despedida. "Vou te levar até o ponto!" merda... "Não vou pra lá, vou tentar marcar uma consulta" e assim todo o seu plano foi arruinado. Fora até lá sem sucesso, completou a lacuna do mau humor com uma frustração e foi trabalhar.

conversa

Botaram na mesa o que estava remoendo apenas um lado do diálogo. Não sabia como explicar: Como classificara seus amigos? Não havia muito o que nomear, as coisas vão acontecendo, se desenrolando e as amizades tomando forma.

livro

Por mais que passassem os dias, meses, anos, parecia que ainda haviam muitos receios em algumas conversas. Não queria desfazer o encontro, mas também não queria que compreendesse parte da sua preocupação como um tipo de frieza. Não houve risada, apenas uma manifestação sincera "Prefiro pegar a encomenda sem atrapalhar seus afazeres." 

Acreditava no que era dito "Tenho medo de que tudo isso seja visto como um pretexto." imagina. 
Ele, o silêncio, volta dizendo "Pra que isso?" e a entrega foi feita da maneira mais curta. No momento da troca, palavras corridas dentro de uma intimidade construída no contato ao vivo. Assim não há estranheza ou metade de uma má interpretação. Melhor assim.

pico

O regresso, trem lotado, nas cinquenta primeiras páginas do livro consegue entender o porque da indicação. Quando o destino se aproxima, observa o pai com sua filha no colo. Estão de pé.

Ela usa um óculos retangular rosa escuro e com as mãozinhas vai acariciando o rosto do pai. Os movimentos parecem involuntários, faz um carinho, boceja, outro, coça a cabeça com as mãozinhas furadinhas, encosta a cabeça no ombro do pai. "Tá dormindo?" ele pergunta, ela fecha o olho e finge mas o movimento do sorriso sapeca a denuncia.

Quando resolve despertar, desembesta a falar. É preciso tirar os fones pra saber o que diz, fala das luzes, fala da mãe, pergunta se pode comer bolacha quando chegar em casa e solta "Pai, nunca vou namorar, nunca vou pra faculdade." ele ri "Mas por que isso?" ela esbraveja "Na faculdade as pessoas namoram, e se eu não quero namorar tenho que ficar longe da lá!" o pai começa a gargalhar, solta um "ai ai" e ela continua com sua inquietação.

Não sabe dizer o porque, não tinha nada a ver com o diálogo mas começou a segurar o choro. A estação não chegava nunca e a gravidade não teve um pingo de compaixão. Quando aquela voz anunciou a próxima estação já era tarde, as lágrimas estavam molhando as duas bochechas. 

"Não quero entrar na faculdade, não quero namorar, não quero chorar quando for maior que você, pai."

lotação

A felicidade de sentar no último banco livre. Não iria dormir, a leitura que lhe arrancava um e outro sorriso bastava. Ao chegar perto de casa, aquele dilema em que todas as pessoas vão descendo e como sobram lugares vagos, você é obrigado a pular para o banco mais próximo e prosseguir a viagem sem nenhum passageiro perto. Antes seguia essa lógica, hoje pergunta "Por que?"

favor

Comunicou o acontecido "Eu havia dito que veria pra você cedo, não disse?" como era possível? "Disse HOJE, ontem não manifestou uma boa vontade..." Fecharam-se as caras.

Cresceu assim, eram cópias. Esbravejavam com as mesmas coisas, alegravam-se com as mesmas coisas, na maioria das vezes até as cobranças eram bem parecidas. Por que mudaria agora? Faça-me um favor (mas só o faça se for de bom grado).

post-it

Chegou em casa, guardou o bilhete que não era seu com todo o cuidado, pegou um post-it amarelo e escreveu

- incômodo
- dia
- conversa
- livro
-  volta  trem
- choro
- lotação
- favor
- bilhete
- post-it

releu a lista

- incômodo
- dia
- conversa
- livro
- trem  pico
- choro
- lotação
- favor
- bilhete
- post-it

e esvaziou-se.

17 fevereiro 2013

asa

Minha mãe dizia que eu precisava cuidar muito bem de tudo o que eu gostasse durante a vida. Eu tentei. Minha primeira frustração foi aquele bendito pássaro. Não me lembro qual era o seu "tipo", apenas que era cinza amarelado.

Não tínhamos jardim em casa, era apenas um pequeno canteiro nas laterais do nosso quintal. A vegetação nativa consistia em alguns pés de couve, uma roseira branca, uma vermelha, capim-santo e aqueles trevinhos azedinhos com três folhas.

Um dia, nesse quintal, meu pai fez com que eu aprendesse sozinho a arrumar a corrente da bicicleta. Convenceu minha mãe "Eu lavo essas roupas, mas ele tem que aprender..." e assim meio desengonçado consegui terminar o trabalho que me foi dado. No meio do processo todo, o bendito do pássaro apareceu, melhor dizendo, caiu no meu quintal.

Primeiro pensei em gritar, mas antes disso me contive e cheguei um pouco mais perto.
Deveria medir mais ou menos um palmo, estava assustado. Me olhava piscando muito, respirava com rapidez e se eu forçasse um pouco a vista, talvez conseguisse enxergar o movimento dos batimentos dentro daquela penugem.
"Cuide bem dele!" minha mãe disse. Era uma questão de honra, eu seria o seu herói, estava decidido.

No decorrer dos dias, fomos nos acertando. Eu acordava, conferia o ferimento, deixava água e comida bem pertinho para que ele pudesse ficar quieto com tranquilidade até o meu regresso.

Depois de alguns dias, eu pensava que já éramos amigos, confidentes. Não queria mais andar de bicicleta, ficar muito tempo longe dele. Conversava muito com ele e parecia até que havia um entendimento. Uma vez contei um caso que aconteceu na escola e tenho certeza de que aquele "piiiiiu piu piu piu" foi uma gargalhada.

Seu aspecto só melhorava, aos poucos foi ficando robusto, lindo, menos acinzentado e éramos praticamente cúmplices dentro de todo esse reino animal. Até o dia em que cheguei e ele não estava mais lá.

Primeiro pensei em gritar, mas antes disso fui conversar com aquela que fora a culpada de tudo isso. "Não foi você que pediu pra eu dedicar a minha vida para cuidar daquele pássaro?", falei engolindo o choro que mais parecia uma bola de fogo.
Com o maior dos sorrisos ela me disse que não foi bem assim, era pra eu cuidar de tudo o que eu gostasse durante a vida e agora, precisava entender que isso não faz com que tenhamos o controle sobre as coisas. E ainda mais, era preciso fazer sem esperar resultados.

Eu precisava esquecer toda essa história, pensar com lucidez e limpar o coração para tudo o que estava por vir, para o resto da minha vida.
"Não quero esquecer, não quero crescer, não quero mais nada." E ela dizia que aquele seria apenas o começo.



02 fevereiro 2013

tentativas

Comecei seis posts, nenhum vingou.
Cada um falava de uma agonia, um assunto, uma vontade que vem me acompanhando dia após dia. Depois de seis tentativas decidi que nada disso deve ser escrito: devem ser digeridos. Nenhum deles pareceu um conto, muito menos um desabafo, pareciam palavras soltas que se perderiam depois do post.

Já comentei com alguém ou já escrevi por aqui: os sábados são bem mais perigosos que os domingos.

31 janeiro 2013

de lado

~> editar esse post o mais rápido possível

21 janeiro 2013

destino

hoje, escrevi pra minha vida o que não consigo ouvir de ninguém.
só o destino pode apagar ou refazer: que assim seja.

16 janeiro 2013

+2

Algumas dezenas de dias se passaram, guardei as imagens na cabeça mas não me lembrava de nenhuma música daquele dia. Sempre tive mais facilidade para guardar rostos.
Indo ou voltando para o trabalho, não me lembro, reencontrei a moça pro aí.

Congelei

Fui atacado por um impulso, acelerei o passo para falar com ela. Como as pessoas se transformam no carnaval: andava pela calçada com uma cara séria, fones de ouvido entregavam que talvez estivesse ouvindo algo agitado: fazia gestos engraçados, um air guitar discreto onde os braços não faziam grandes movimentos. Gastei mas um bocado de tempo observando como andava, o que olhava na rua, o que estava cantando, pensando… 
De tanto pensar recuei "Oi, te vi aquele dia no bloco, quer dizer, na marchinha e você estava linda" nossa, que genial. Pensei em algo mais inteligente para falar e nada. Entrou em um restaurante. Marquei dia e horário e resolvi jogar a sorte no vento.

Mais fácil

Em uma dessas festas em que apenas evito a fadiga de um "Nossa, você nem foi" com minha presença, dancei um pouco, falei um pouco e fui pegar uma bebida. Encostei no balcão e aproveitei o momento em que posso ficar em paz com o meu silêncio.

"Ei, abre aqui par mim?"

Meu Deus, era ela. Indicava um corte pequeno no polegar "Gente, é terrível abrir essa long neck" e falava como se pedisse um favor a um amigo. Abri a cerveja, entreguei e ganhei um "Valeu mesmo" e um sorriso que mais parecia um smile do msn messenger. Fez uma reverência engraçada e saiu. Seria sorte a minha?
Antes de processar esse "reencontro", ela volta e pede novamente o mesmo favor. Acato seu pedido sem segurar o riso. Ela faz o mesmo agradecimento, vai embora, esquece a comanda no balcão, volta, pega a comanda, se despede novamente e vai. Anotei seu nome.

Seria sorte a minha?

Fui ao mesmo lugar mais algumas vezes, passei pelo restaurante, fui trabalhar, voltei, dormi, saí, fui tomar um café e "Olha quem está por aqui!" me achou! 
Agora não havia mais escapatória. Estava encantado desde as serpentinas, não havia mais o que negar. Dessa vez abriu um sorriso largo e perguntou se eu não respondia cumprimentos "Se você trocar mal educado por atrapalhado, mata a charada". 

Conversamos

E decidi que no próximo carnaval, estarei devidamente preparado. 
Chapéu, confetes, samba-enredo e você. 







12 dezembro 2012

Sorrateiramente entrava em casa, cantarolando baixinho a mesma música que tocava por ali. "Summeeeeertime time time..." fazendo filulas, passando os dedos sobre os desenhos da parede e admirando tudo por ali. Gostava de fazer isso, fingir toda vez que entrava em casa, ser um ambiente estranho para descobrir dia após dia, novos detalhes em meio a decoração que havia escolhido minuciosamente.
A casa cheirava almoço.
Escondeu-se atras de uma das paredes só para observar como tudo estava sendo feito, como cantava e fazia filulas mexendo tudo o que estava no fogão. São aqueles hábitos que você absorve da pessoa e nem toma conta. Riu pensando "Quem diria!".
Prestando atenção em todos os movimentos, decidiu gastar um pouco mais de tempo olhando e deixando-se levar por aquele clima de domingo. Sempre gostou dos domingos, planejava-os desde o princípio de tudo isso.
A música estava prestes a acabar e 

- Ei, você ouviu o que eu disse?
- Oi, sim, quer dizer, desculpa, tem alguém ouvindo Summertime por aqui...
- Acho que foi o toque de celular da mesa do lado, enfim, depois eu falo de novo. Quer pedir alguma coisa?
- Se tiver pão de queijo recheado e algum doce legal, pode trazer...

E foi andando.
Distantes. No intervalo em que levantou para buscar tudo, literalmente. 


03 dezembro 2012

Sobre aceitar

Uma vez, há alguns anos atrás, me contive com uma desculpa.
Uma desculpa que dizia "Olha, até pensei em você mas já havia falado com outra pessoa então... enfim..."

Ontem, assiti um filme que me surpreendeu. Fui naquela intenção de assistir algo que não mexesse muito com o emocional, que não exigisse tanto esforço mental para a compreensão e que me fizesse dar boas risadas. Fui surpreendida. Um filme lindo, uma trilha impecável, a fotografia, os assuntos...


"Nós aceitamos o amor que pensamos merecer." 


Com certeza marcou muitos que estavam ali assistindo.

Aceitamos o amor que pensamos merecer/ Aceitamos o desamor que pensamos merecer / Negamos o amor que merecemos, nem sempre por querer.

Não saber ser amado também é recorrente. 

Ser profissional em não receber amor, também.
É difícil amar, é difícil ser amado... 


Mas como é bom aceitar as cores

26 novembro 2012

Ciclos

Em uma conversa não tão antiga, ouvi "Nossos ciclos de amizade e/ou convivência são renovados em média, de 4 a 6 anos!". Depois disso comecei a notar as divisões e me pareceu bem coerente.
Primeiro foi a infância: aos 12 anos, eu e minha prima/irmã já não éramos mais farinha do mesmo saco.
Depois entre a infância/adolecência conheci pessoas que permaneceram até hoje "Sobreviventes: são esses que você precisa zelar e manter.", mas muitas outras passaram também.
Depois, o curso técnico. Poucos amigos em grande qualidade, permanceram para a minha surpresa.

Neste novembro reparei que mais um ciclo se encerra.
Com o término da faculdade já consigo contar em uma mão os que ficarão para contar histórias junto comigo.
Isso é normal, as pessoas passam. Isso eu aprendi sozinha, observando e convivendo.
As pessoas voltam, isso eu também aprendi sozinha, tendo que aceitá-las (ou não) de volta.
Algumas pessoas somem, para a graça do bom Deus, para facilitar toda a nossa vida.

Refleti sobre isso durante alguns dias por diversos motivos mas hoje, sei que bons amigos ficarão mais distantes, dois dos meus melhores. Pode ser drama, um vai para fora do estado, outro para uma cidade vizinha mas para esta que escreve tudo isso, que gosta de ter perto todos os que ama, sei que não será muito fácil.

Não há infelicidade, ambos darão um grande passo na vida e não consigo ser egoísta a ponto de ficar triste ou coisa assim. Torço para ser efetivada, tirar a CNH para visitá-los sempre que possível.

Aos que permanecem, é possível reparar que algum fato maior terá de intervir: são os "não perecíveis".

É gostoso amar as pessoas e o meu é dividido entre estes. Estejam aqui no bairro, na grande São Paulo ou fora do estado.

23 outubro 2012

não resolve

chorar não resolve
pedir ajuda não resolve
correr não resolve


chorar? não! resolve.
pedir ajuda? não! resolve.
correr? não! resolve.

caiu na roda
ou acorda
ou vai rodar

#30dias

15 outubro 2012

p a s s a n d o

Contrapondo todas as vontades de acabar logo com todos esses trabalhos e ficar de vez "numa boa", uma amiga disse: Aproveite, dedique o máximo de si, esse trabalho pode lhe render bons frutos!
O dela rendeu. Ela está certa.

Viver remoendo o passado, almejando o futuro sem aproveitar direito o presente: é essa a ordem natural das coisas, não adianta negar...

Toda vez que a situação aperta: #voltaférias.
Só pra encher o peito com a sensação de que depois tudo vai se acalmar...
E quando acalma, a gente trata de mexer.

24 setembro 2012

sobre a saudade

saudade de quando você esperava pelo final de semana

-kel, nós vamos no cinema?

saudade de quando você aparecia aqui

-posso só ficar sentadinho aqui do lado? não vou te atrapalhar em nada.

saudade de quando você desenhava carros

- kel, tem lápis?
- kel, posso riscar esse papel aqui, já está riscado um lado!


saudade de quando eu ganhava de você no need for speed underground

- pára kel, você só ganha!

saudade de quando eu te desafiava a falar todos os nomes dos carros que passassem depois da abertura do farol, enquanto esperávamos o ônibus

- mas eu falo só o modelo do carro ou tenho que dizer o fabricante também? se for com o fabricante eu não vou ganhar!

saudade de quando te levei em uma exposição de linguagem eletrônica

- nossa kel, fora essas coisas de luz e as de jogos, só tem coisa de doido né?

saudade de quando alugava dvd pra gente assistir a noite, no final de semana

- kel, faz aquela pipoca lá enquanto eu junto os sofás?

e falava todas as falas do rei leão enquanto assistíamos só pra te irritar

- PAAAAAARA KEL, já me arrependi, não quero ver mais
- beleza Bruno, vou parar
- sério?
- sério!

(...)


- eu rio na cara do perigo HAHAHAHA
- o mããããããe....

saudade de quando a distância não era tão grande

saudade de quando meu tempo não era TÃO meu

saudade de quando meu tempo podia ser nosso, nem que fosse só no final de semana

saudade de quando eu não sentia que perdi parte da sua vida, e não sentia que, ao longo desses anos de "crescimento", não formos irmãos do jeito que eu gostaria.

atritos de quem sabe que proteje demais, que deveria ter mais paciência, que deveria dar mais atenção e carrega consigo a culpa de não conseguir, hoje em dia, um espaço na tua vida pra demonstrar todo esse amor que está aqui.




- kel, você é grande, não deveria chorar. mas se você chora... eu posso chorar também.

mal sabia você que "gente grande" chora bem mais do que gostaria...

22 setembro 2012

sobre am arg ar

sobre am arg ar e salivar amar go
sobre amar gar e des a prender a 
amar gar


27 agosto 2012

aquele cheiro de sangue d
aquele que gosta
aquele que vai viver d
aquele soco, na ponta da faca

21 agosto 2012

half frame



compartilhando inspirações, admirando pétalas e dividindo insanidades - seguimos.
sem o romantismo presente em almejar uma amizade eterna ou duradoura: os dias correm, transformando o ontem em hoje, sem a audácia de planejar o amanhã (seja por preguiça, medo ou falta de tempo).
resolvi te escrever faz um tempo, mas não queria que qualquer palavra soasse gratuita.
também não queria algo pesado, que forçasse a barra, que falasse daquilo que não somos.


peitos abertos, insanos, sedentos, cansados de ambientes mornos.
a fome (sempre presente) de realização. fome de tudo o que possa transcender o eu, o agora, o outro, o meio...

assim somos


e caminhamos, enlouquecendo para colorir os dias: graças a Deus.

obs. primeiro post para uma amiga mulher.

25 julho 2012

v i v a

de todas as maldades, foi assim:
primeiro o riso, depois o choro
nenhuma morte, só feriu.

de todas os desagrados, foi assim:
primeiro o caos, depois a alforria
nenhum morto, nem ferido.

de todos os karmas, foi assim:
primeiro o "sim", depois o "nunca"
todos mortos, nenhum lamento.

de todas as alegrias foi assim:
primeiro eu, depois você (s)
dentre mortos e benditos (...) 

20 julho 2012

time tra
a
a
a


avel to learn
ur ~> secret life 
in ur mausoleum










01 julho 2012

+1

Um vez andando pela cidade, um senhor perguntou se eu poderia trocar meu casaco novo por um punhado de papéis coloridos picados.
Este velho está louco! pensei. Tentando responder com educação disse apenas que sentia muito frio e que a troca não me interessava. Sem pestanejar, se despediu, levou seus papéis e enfim me deixou em paz.

Voltando para a casa, quase fundi meu cérebro tentando entender qual era a lógica daquele episódio.
Conforto e proteção em troca de um punhado de papéis. Não fazia sentido.

Com o passar dos dias, o mesmo senhor me reencontrou e junto com os papéis havia um chapéu com belos detalhes. O senhor não está me entendendo, eu disse, não preciso de cores ou enfeites, meu casaco basta.
Com um tom desapontado na voz ele disse, é apenas uma troca meu jovem, não preciso do seu casaco cinza.



Foi embora.


Deixei pra lá, era melhor!

Carnaval...

Chegou o carnaval e na medida em que era protegido pelo meu casaco, era também alimentado pela preguiça de guardá-lo: havia começado a suar.
Naquele calor escaldante observei todo o tipo de descontrole pelas ruas da cidade, até que me deparo com uma marchinha. Marchinha mesmo, daquelas tradicionais que sempre tive vontade de participar, mas né, deixei pra lá.

Mudei meu itinerário. Voltei para a casa pela rua em que a marchinha seguia. Homens, mulheres, crianças e alguns velhinhos formavam a massa animada que saltitava entre os meios fios de linha branca pontilhada.
Dentre pulos e rodopios lá estava a menina mais bonita que eu já vi. Sorria descontraída, dançava despreocupada. Eu podia ver quando as ondas de som atravessavam seu vestido e dançavam junto com ela formando uma sincronia perfeita.

Não me viu.

A observei por quase todo o percurso, sorria gratuitamente para todos os lados e não pude saber se recebi algum gracejo ou coisa parecida. Me limitei a observá-la e sorrir toda vez que, sem querer, esbarrava em um, pisava no pé de outro e sibilava sem jeito, me desculpe. Ninguém achava ruim.

Senti vontade de gritá-la, ir até lá, puxá-la pela mão só para sentir de perto seu perfume. Ver de perto todos os detalhes de seu sorriso e sua feição enquanto fazia sua dança em volta do que até aquele momento, seria eu.



Meu casaco me incomodava.

Em fração de segundos, pareci indigno de sua dança. Seu sorriso pareceu corromper tudo que eu havia construído para mim, seus movimentos uma ode ao desconhecido e seu perfume, talvez dispertasse tudo o que nunca fui ou evitava ser até então.

Neste choque reparei nos punhados de papéis coloridos picados que ela espalhava em meio a multidão, e que em seu vestido havia um detalhe que combinava com um chapéu que eu já havia visto.
Papéis coloridos picados e um chapéu. A troca era essa. A troca que poderia fazer daquele dia, uma explosão de cores que tiraria de mim, um dia da minha rotina.

Recusei.

O senhor estava sentado do outro lado da rua e quando a marchinha cruzou a rua ele balançou de leve a cabeça para mim de forma indignada, mas depois achou graça. Só então entendi o recado.
Ele viu que entendi. Talvez até o carnaval que vem eu faça a troca só para poder dançar com ela, talvez eu corra ao vê-la cruzar a avenida láááá embaixo...

Vai ficar tudo bem, t
alvez eu deixe tudo como está... sei lá.




sharing colors


was it something I said?  - brandon flowers

12 junho 2012

pesa vinte e dois anos

querendo excluir os rascunhos, exclui 2 postagens. os rascunhos? continuam aqui.


22 anos.
quando pequena, pensava que com esta idade, teria casa, carro, um bom emprego e tudo mais. como é legal ser criança e viver fora da realidade


22anos
quando pequena, queria os vinte e dois anos porque quando jogávamos bingo na praia, eu amava dizer alto "dois patinhos na lagoa". era o único número que tinha graça fazer graça quando era sorteado

22 anos
tenho a casa dos meus pais, um mini-carrinho de controle remoto, a metade de um tcc, nenhum emprego e nenhum tudo mais

22anos
falta cor, falta velocidade, falta até saúde, tenho que admitir
muitos bocados para poucos espaços. sempre me preocupo em preencher o que estiver ao meu alcance, mas nestas férias o cansaço me segura e não consigo fazer muito. tudo vago



22 anos
dois patinhos na lágoa. lágoa que não seca nunca, que a saudade enche cada vez mais e deixa um patinho nadando e o outro à beira, medroso...


22 anos e a vida pra resolver com o último salário
22 anos e a vida pra resolver no mês de junho, antes que o ritmo do TCC volte e até lá, quero que tudo esteja próximo aos devidos eixos
22 anos e a vida pra temperar, antes que eu enjoe do gosto sem sal, pare de querer preparar tudo com carinho e comece a comprar comida pronta




22 anos e o tempo que me resta pra dramatizar enquanto tudo estiver uma merda
e o o mesmo tempo para explodir de alegria enquanto tudo estiver tudo ok.


terminar desenho e colocar aqui
in the mausoleum - beirut

27 maio 2012

caixa

arrumar o quarto
guardar os souvenirs
e sorrir...

cada um materializado de um jeito
e a curiosidade de saber como seriam os teus.

08 maio 2012

ódio que constói

nasss, pra que esse título?
não havia outro...


na minha vida, o ódio não construiu muita coisa. você sabe a dificuldade que tenho com esse sentimento. mas o post não é pra mim!
dividimos bobagens, amores, nos distanciamos pelo ódio. ódio necessário, diga-se de passagem. descobri com o tempo que consigo plantar coisas boas nas pessoas e hoje alegro-me de ver que isso realmente é verdade. não, não quero ser convencida, mas o nosso crescimento foi tão diferente daquilo que imaginávamos há anos atrás... 


inquietação por liberdade. libertar-se da visão alheia, do medo de quebrar uma imagem boa, de despreocupar-se com muitas coisas.
inquietação por liberdade. libertar-se do ódio, do medo de quebrar o paradigma de que nenhuma soma resulte num número par, de despreocupar-se em largar o ódio e dar lugar ao amor que sempre foi uma sede dentro da alma. que deixa assim besta mas que aniquila qualquer culpa, principalmente quando não existem mortos e muito menos feridos.

hoje - só isso importa. as coisas estão aonde deveriam estar. custamos mas aprendemos e continuaremos partilhando das "bobeirices" 



foi isso que o ódio construiu.
não precisamos um do outro, damos palpites mas sabemos que no fundo a lei é a seguinte "se eu quiser, foda-se" e digo com propriedade que vamos conviver assim!



(até que o próximo surto aconteça - cada um vá pro seu lado e cá voltaremos. de novo... e de novo... e de novo... )



nóis que avua! 

07 maio 2012

pode?

pode postar música? NÃO
pode repetir "na boa, ontem você..."? não

pode publicar rascunho do blog? nop
pode mandar rascunho por email? negativo
e spoiler? nada disso
e em inglês? 
e... dormir pode, vai lá





e engole a saudade

05 maio 2012

I still have a bag with mistakes and really deserve to use them 

03 maio 2012

to some friends

para um:

a sorte
sorte de encontrar-se ao deixar alguém que a pouco, foi como eu.
amigo é estar do lado. como o dia em que rios desaguaram num vento que antecedia o temporal de feriado

para outro:

a sorte, mas não só.
sorte e a coragem de se deleitar na leveza. com ela é mais fácil percorrer novos ares

29 abril 2012

sobre morder a língua - 1

daquelas promessas... quebradas
"só vou postar algo no blog, quando for sobre outro assunto!"


de não admitir certos gostos
falei disso com um amigo que recém mordeu a língua...



agora diz, quem não passa por isso?



26 abril 2012

comp.

- The kids in the art school said they would
- I don't want to give you up
- If I was scared?
- Eu vou te acompanhar de fitas, te ajudo a decorar os dias 
- Eu gosto da luz do sol, mas chove sempre agora
- I'm learning to open other doors, just before it rains

- I can't believe it's true
- Don't slow me down if I'm going to fast
- Talvez esqueça e cresça, sem você
- You throw away every other dream
- Our bodies get bigger but our hearts get torn up...








15 abril 2012

aguada

o rio 
daquela água, que não seca
"vezes tudo que não cabe no querer"


é, veja só.


my valentine - paul mccartney

13 abril 2012

- 10h/dia

os dias agora, com horas a menos
tempo de menos
saudade a mais



- cheddarterapia
- vídeos aleatórios

- chilli com norteña
- samba rock
- tardes registrando crianças
- listas e UM emoticon do whatsapp



we used to wait - arcade

11 abril 2012

não que

não que eu espere
nem pela bezerra, morte
não que eu desacredite
faça drama, sem norte


o dragão acordou
nem que cicatrize
nem que ao corte, volte



não que dormisse
nem menos forte
não que fechasse
volte, corte



shake it out - florence