28 julho 2013

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Tudo começou assim: a briga.
Havia brigado com a matriarca na véspera: como se encontrariam?

Ela não entende como a filha se tornou o símbolo da desor dem ganizacão, e a filha no fundo também não sabe o que (não) aconteceu durante sua formação. Não herdara nenhuma característica deste tipo, presente tanto na mãe, quanto no pai.

Fora os problemas de foco, problemas que finge ignorar, executou parte da tarefa que lhe foi designada e entregou-se aos planos que havia feito. Terminaria tudo amanhã para reparar os danos da noite anterior.

Acordou, levantou, foi até a feira e calmamente tomou o café da manhã que queria. Mordia cada parte do pastel como se fosse a última, acrescentava vagarosamente os molhos, fechava um olho pra tapar o sol até terminar todo o ritual.

Voltou para casa bem devagar.
Ao caminhar sentia o corpo por baixo de três blusas aquecer naquele sol de inverno: seu "tempo" preferido. 
Ao chegar em casa, sabotou as tarefass. Seria injusto ficar ali.

Sua mãe assinaria sem dúvidas o termo de reavaliação de feto adulto. CASO fosse possível devolver à suas entranhas, 1,70m pesando 57,7kg, seria naquele dia que o faria.

Atrasada, vestiu-se e seguiu o caminho fazendo a mesma expressão: fechava ligeiramente um dos olhos e observava a janela com o outro. De tempos em tempos fechava os dois olhos, ou sorria.

Chegando ao destino, não havia nada mais que conversas triviais e a vontade de fazer nada durante um tempo.
Andaram, esquentaram, riram e choraram, ainda de rir, da quase desgraça alheia.
"Estão bem loucos." alguém falou.

E foi no meio de toda essa bagunça que apareceu caminhando meio estabanado, apressando com um olhar certeiro dentro dos milésimos de segundos mais rápidos do planeta.

"Me encontre." São apenas 15mil miniaturas para você achar o que alguém perdeu por aí.

E a mãe? O contrato está assinado, e é pra toda vida. 
Ela nunca entenderá o que se passou na semana que antecedeu este final. 
Um dia, sentarão na cozinha ou estarão andando pela cidade e falarão sobre isso.

Ela nunca vai entender a necessidade de estar em contato com qulquer tipo de imprevisto, ou de entregar-se ao nada vez ou outra. Ainda mais para aqueles que não sabem viver sem planejar as coisas.

Ela nunca vai encontrar a filha num dia frio com um sol lindo, caso a filha não peça

"Me encontre!"

09 julho 2013

Saudações! 

Desculpe pelo final de semana passado, como você notou, não estou mais por aí. Não avisei pois tinha medo de fazer com que mais um plano meu não desse certo.
Você sempre falou do otimismo em que eu os fazia sem medir as possibilidades de realização. Dessa vez consegui!

 Cheguei por aqui num dia lindo com aquele tempo que eu sempre comento, sabe? Aquele com um solzão e temperatura amena, em que calorentos e friorentos são felizes. 

Passei os dias fazendo tudo aquilo que comentei, só não consegui as poses originais em lugares clichês. Na verdade, só me lembrei disso depois de olhar as fotos. É muito difícil inovar nesses casos, mas algumas saíram incoscientemente. 

Não sei se eu havia comentado contigo qual era o meu maior sonho no meio disso tudo, talvez o tenha feito em alguma enxurrada de palavras, não lembro... 
Dei essa volta toda (presente nas cartas e sempre descritas como um meio de enrolar, lalalala e tudo mais) só para falar disso. 

Os contatos externos estavam restritos àqueles que criaram a minha existência e aos pelegos que ajudaram de alguma forma a realizar tudo isso. Mas no exato momento em que estava lá, no topo de um dos meus sonhos, selado num presente seu, não me segurei. 
Chorei como se com as lágrimas pudesse retirar todo o peso das botas (e isso seria outra carta, porque esse livro tem a sua cara), tentando esvaziar tudo que era possível, no exato instante em que você se manifesta. Coincidências, falamos disso, até que ponto elas chegam? Não sei dizer. 
Quis colocar de um jeito impessoal a emoção daquele momento, talvez tenha conseguido. 

Desculpe não colocar o remetente, vaguei por um tempo e esse ar é realmente diferente. 

Ficarei.

Como dissemos, não haverá nada que diga alguma coisa sobre tudo isso, só te mandei essa xícara esperando que os teus dias amanheçam com sabor, e um pacote de biscoitos de gengibre pra te sacanear, claro.

01 julho 2013

foi o que me disse naquele dia em que secou todas as orquídeas que eu havia plantado.
nunca soube o trauma que passei para aprender a plantá-las. minha mãe sempre teve ótimas mãos para plantar o que é que fosse. não tem nem o primeiro grau de escolaridade concluído, mas sabe direitinho qual planta brota a partir de uma folha, por exemplo.

um dia, acordei numa dessas noites barulhentas acreditando no fim das nossas vidas.
não pensava na morte, pensava no fim do amor que um desconhecido plantou no nosso jardim. um nosso meio meu, meio seu, as vezes nosso.

observei minha mãe com seu dom mas nunca o entendi completamente. tentei a orquídea uma vez, não deu certo. um desconhecido que sempre odiou plantas, pegou a minha muda, morta e fez brotar várias dela a maior quantidade de flores que já vi numa só orquídea.

nunca entendi.

desta vez parecia que as flores iriam brotar daqueles galhos finos e incertos.
mas não faço ideia de qual seria o resultado. com certa impaciência e ceticismo, tudo foi arrancado por ali.
eu precisava ver se a planta morreria em poucos dias, eu precisava ver para saber que tenho mãos amaldiçoadas para o plantio.

"R.I.P., você e suas malditas orquídeas."

foi isso que me disse naquele dia, secou as orquídeas que eu havia plantado e fez questão de alagar junto da terra, todo o resto.