Desculpe pelo final de semana passado, como você notou, não estou mais por aí. Não avisei pois tinha medo de fazer com que mais um plano meu não desse certo.
Você sempre falou do otimismo em que eu os fazia sem medir as possibilidades de realização. Dessa vez consegui!
Cheguei por aqui num dia lindo com aquele tempo que eu sempre comento, sabe? Aquele com um solzão e temperatura amena, em que calorentos e friorentos são felizes.
Passei os dias fazendo tudo aquilo que comentei, só não consegui as poses originais em lugares clichês. Na verdade, só me lembrei disso depois de olhar as fotos. É muito difícil inovar nesses casos, mas algumas saíram incoscientemente.
Não sei se eu havia comentado contigo qual era o meu maior sonho no meio disso tudo, talvez o tenha feito em alguma enxurrada de palavras, não lembro...
Dei essa volta toda (presente nas cartas e sempre descritas como um meio de enrolar, lalalala e tudo mais) só para falar disso.
Os contatos externos estavam restritos àqueles que criaram a minha existência e aos pelegos que ajudaram de alguma forma a realizar tudo isso. Mas no exato momento em que estava lá, no topo de um dos meus sonhos, selado num presente seu, não me segurei.
Chorei como se com as lágrimas pudesse retirar todo o peso das botas (e isso seria outra carta, porque esse livro tem a sua cara), tentando esvaziar tudo que era possível, no exato instante em que você se manifesta. Coincidências, falamos disso, até que ponto elas chegam? Não sei dizer.
Quis colocar de um jeito impessoal a emoção daquele momento, talvez tenha conseguido.
Desculpe não colocar o remetente, vaguei por um tempo e esse ar é realmente diferente.
Ficarei.
Como dissemos, não haverá nada que diga alguma coisa sobre tudo isso, só te mandei essa xícara esperando que os teus dias amanheçam com sabor, e um pacote de biscoitos de gengibre pra te sacanear, claro.
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