25 julho 2012

v i v a

de todas as maldades, foi assim:
primeiro o riso, depois o choro
nenhuma morte, só feriu.

de todas os desagrados, foi assim:
primeiro o caos, depois a alforria
nenhum morto, nem ferido.

de todos os karmas, foi assim:
primeiro o "sim", depois o "nunca"
todos mortos, nenhum lamento.

de todas as alegrias foi assim:
primeiro eu, depois você (s)
dentre mortos e benditos (...) 

20 julho 2012

time tra
a
a
a


avel to learn
ur ~> secret life 
in ur mausoleum










01 julho 2012

+1

Um vez andando pela cidade, um senhor perguntou se eu poderia trocar meu casaco novo por um punhado de papéis coloridos picados.
Este velho está louco! pensei. Tentando responder com educação disse apenas que sentia muito frio e que a troca não me interessava. Sem pestanejar, se despediu, levou seus papéis e enfim me deixou em paz.

Voltando para a casa, quase fundi meu cérebro tentando entender qual era a lógica daquele episódio.
Conforto e proteção em troca de um punhado de papéis. Não fazia sentido.

Com o passar dos dias, o mesmo senhor me reencontrou e junto com os papéis havia um chapéu com belos detalhes. O senhor não está me entendendo, eu disse, não preciso de cores ou enfeites, meu casaco basta.
Com um tom desapontado na voz ele disse, é apenas uma troca meu jovem, não preciso do seu casaco cinza.



Foi embora.


Deixei pra lá, era melhor!

Carnaval...

Chegou o carnaval e na medida em que era protegido pelo meu casaco, era também alimentado pela preguiça de guardá-lo: havia começado a suar.
Naquele calor escaldante observei todo o tipo de descontrole pelas ruas da cidade, até que me deparo com uma marchinha. Marchinha mesmo, daquelas tradicionais que sempre tive vontade de participar, mas né, deixei pra lá.

Mudei meu itinerário. Voltei para a casa pela rua em que a marchinha seguia. Homens, mulheres, crianças e alguns velhinhos formavam a massa animada que saltitava entre os meios fios de linha branca pontilhada.
Dentre pulos e rodopios lá estava a menina mais bonita que eu já vi. Sorria descontraída, dançava despreocupada. Eu podia ver quando as ondas de som atravessavam seu vestido e dançavam junto com ela formando uma sincronia perfeita.

Não me viu.

A observei por quase todo o percurso, sorria gratuitamente para todos os lados e não pude saber se recebi algum gracejo ou coisa parecida. Me limitei a observá-la e sorrir toda vez que, sem querer, esbarrava em um, pisava no pé de outro e sibilava sem jeito, me desculpe. Ninguém achava ruim.

Senti vontade de gritá-la, ir até lá, puxá-la pela mão só para sentir de perto seu perfume. Ver de perto todos os detalhes de seu sorriso e sua feição enquanto fazia sua dança em volta do que até aquele momento, seria eu.



Meu casaco me incomodava.

Em fração de segundos, pareci indigno de sua dança. Seu sorriso pareceu corromper tudo que eu havia construído para mim, seus movimentos uma ode ao desconhecido e seu perfume, talvez dispertasse tudo o que nunca fui ou evitava ser até então.

Neste choque reparei nos punhados de papéis coloridos picados que ela espalhava em meio a multidão, e que em seu vestido havia um detalhe que combinava com um chapéu que eu já havia visto.
Papéis coloridos picados e um chapéu. A troca era essa. A troca que poderia fazer daquele dia, uma explosão de cores que tiraria de mim, um dia da minha rotina.

Recusei.

O senhor estava sentado do outro lado da rua e quando a marchinha cruzou a rua ele balançou de leve a cabeça para mim de forma indignada, mas depois achou graça. Só então entendi o recado.
Ele viu que entendi. Talvez até o carnaval que vem eu faça a troca só para poder dançar com ela, talvez eu corra ao vê-la cruzar a avenida láááá embaixo...

Vai ficar tudo bem, t
alvez eu deixe tudo como está... sei lá.




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was it something I said?  - brandon flowers