nunca soube o trauma que passei para aprender a plantá-las. minha mãe sempre teve ótimas mãos para plantar o que é que fosse. não tem nem o primeiro grau de escolaridade concluído, mas sabe direitinho qual planta brota a partir de uma folha, por exemplo.
um dia, acordei numa dessas noites barulhentas acreditando no fim das nossas vidas.
não pensava na morte, pensava no fim do amor que um desconhecido plantou no nosso jardim. um nosso meio meu, meio seu, as vezes nosso.
observei minha mãe com seu dom mas nunca o entendi completamente. tentei a orquídea uma vez, não deu certo. um desconhecido que sempre odiou plantas, pegou a minha muda, morta e fez brotar várias dela a maior quantidade de flores que já vi numa só orquídea.
nunca entendi.
desta vez parecia que as flores iriam brotar daqueles galhos finos e incertos.
mas não faço ideia de qual seria o resultado. com certa impaciência e ceticismo, tudo foi arrancado por ali.
eu precisava ver se a planta morreria em poucos dias, eu precisava ver para saber que tenho mãos amaldiçoadas para o plantio.
"R.I.P., você e suas malditas orquídeas."
foi isso que me disse naquele dia, secou as orquídeas que eu havia plantado e fez questão de alagar junto da terra, todo o resto.
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