Foi numa tarde ensolarada que conheci Neomisia.
Talvez na melhor circunstância possível: um tipo de soul train feito com jazz funkeado. Um sucesso de audiência e público.
Desde a primeira menção fiquei curiosa, mas entendi claramente: era Neomisia. E para as surpresas que a vida reserva, quase minha vizinha de quebrada.
Dizia que seu nome não cabia num punhado de coisas e eu entendo bem como é disso.
Ser Kelen, mesmo numa condição ortograficamente menos complexa também trazia desgaste. Desgaste que saia dos tempos atuais com vídeos de comédia em que só existo na garrafa pet do D olly, e voltava aos de escola. "Por que não 'Kelly' como todo mundo?" eu perguntava com raiva para quem escolheu o nome. "Você não é todo mundo!" era a resposta que ele me dava. Aposto que o pai de Neomisia pensava o mesmo.
Neomisia, parece nome de musa, de deusa, amiga de Dionísio que traz Obá pra vida alheia.
Deve ser por isso que sempre inspira com suas cores e evoca a mim verbos no imperativo: vá, corra, ame...
Deve ser por isso que consegue me arrancar das entranhas gargalhadas, mesmo que por meios digitais.
Foi tal poder que completou um pedaço do vazio de um dia de junho, que me vê cabendo dentro de quem não pertenço...
"Espalhe Neomisia por aí!" conversamos um dia. Me parece extremamente necessário.
Entendo a sede e a inquietação da vida, a agonia de não caber dentro do que nos cabe, a ganância do existir por inteiro.
Não é fácil ser grande, não dá pra chegar sem se derramar, não dá pra ser pouco dentro do outro.
É difícil, mas um dia haverá espaço suficiente para pousar de braços abertos.
Continue, espalhe-se.
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