Quando tinha uns seis anos de idade, começou a escrever no caderno de caligrafia pois segundo o seu pai, sua letra era muito relaxada por pertencer a uma menina.
"Quando você quer, escreve bonitinho mas parece que você nunca está afim…"
Algum tempo depois ele descobriria que o motivo dos garranchos era o desespero de fazer toda a lição com pressa pra ir conversar/atazanar os coleguinhas de classe.
Depois de muito penar, as letras começaram a sair com aquelas curvinhas no "q", arabescos no "H" e também na letra inicial do seu nome. Era um "K" demorado, com a base do "H" e uma outra curva que inventara.
No decorrer da vida escolar, a letra sofreu poucas modificações até continuar bonita, organizada, legível mas que pudesse reproduzir rapidamente todos os textos que copiava.
O primeiro rompimento foi o curso técnico. A mudança aconteceu de forma natural e só tomou conta disso quando deixou um bilhete em casa e o pai questionou a autoria, estranhando a grafia feita. Foi a primeira mudança de muitas, a confiança começou a dobrar e esquina mas trazia consigo uma loucura que não sabia definir direito. Sem falar da organização que se perdeu, nem sabe aonde.
Hoje em dia, ao olhar todas as anotações que faz para o trabalho, não reconhece mais a identidade que deveria existir na grafia. Dizem que é possível fazer uma análise inteira a partir de como a pessoa escreve.
Como delimitar uma personalidade? Como avaliar alguém que possui uma letra pra cada situação?
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