Durante um longo tempo (lembrando que a sensação de "longo tempo" é subjetiva) traçou o mesmo caminho pós-trabalho. Embora cada ida estivesse acompanhada de um contexto diário, a sensação era sempre bem parecida. Poderia estar feliz, triste, ansioso, furioso, cansado ou sei lá...
No começo do caminho decidia se levaria ou não algum chocolate.
No meio, tentava adivinhar em qual mesa estaria.
Seguindo pela mesma reta e sempre do mesmo lado, listava o que precisava perguntar.
Chegando na entrada do edifício, preocupava-se com sua entrada triunfal, como seria visto caso estivesse sendo observado, essas coisas.
Era sempre um turbilhão de coisas como se aqueles encontros fossem sempre a estreia de algum evento.
No começo do caminho decidia se levaria ou não algum chocolate.
No meio, tentava adivinhar em qual mesa estaria.
Seguindo pela mesma reta e sempre do mesmo lado, listava o que precisava perguntar.
Chegando na entrada do edifício, preocupava-se com sua entrada triunfal, como seria visto caso estivesse sendo observado, essas coisas.
Era sempre um turbilhão de coisas como se aqueles encontros fossem sempre a estreia de algum evento.
Sempre chegava, o coração acelerava, as mãos suavam um pouquinho com -25% da precisão e as pernas exerciam parte das funções. Poderia ser uma doença crônica mas parecia algo mais sério: sempre regressava com o coração transbordando.
Durante duas semanas traçou o caminho da casa pro trabalho escolhendo perfeitamente o que iria ouvir no celular. Não permitiria que o shuffle lhe desse uma rasteira "Shuffle é para os fortes!" disse a um amigo.
A saída do trabalho parecia uma ilusão, como se a sexta-feira pudesse trazer as cores de volta. A partir de então passou a detestar esse dia da semana.
Na última, fez um plano aparentemente simples: veria aquele filme que a duas semanas não havia conseguido, tomaria um chocolate quente e voltaria para casa.
Eis que trocaram as sessões de sexta, o filme seria exibido em um horário em que não conseguiria voltar a salvo. Tentou mudar os planos, tentou contatar os amigos para talvez beber uma breja, tentou procurar outra sessão, tentou, tentou…
Decidiria seu destino no caminho.
Decidiria seu destino no caminho.
Olhava a tela do celular, abria o aplicativo, digitava, apagava e bloqueava o celular.
Abria um site no computador, escrevia, lia, apagava e fechava o site. Abria outro, escrevia, lia, pensava, apagava e fechava… Ficou nesse processo por cerca de trinta minutos. Decidiria seu destino no caminho.
Saiu do trabalho, comprou um chocolate. Preparou o que iria ouvir, colocou todas as músicas para tocar no Shuffle, pensou "Shuffle e foda-se!" e foi. Se o shuffle fosse um de seus amigos diria "Se fodeu!". Não sabia dizer como e nem porque mas talvez a sequência trouxe um cheiro familiar para o trajeto.
Percebendo que estava no meio do chocolate chegou ao meio do caminho e tentou pensar em que mesa estaria.
Seguindo pela mesma reta e sempre do mesmo lado, chorou lembrando da última em que estivera sentado e listou tudo o que deveria ter perguntado.
Chegando na entrada do edifício, preocupava-se com sua entrada pois havia sido enganado pela esperança, não havia ninguém ali. E se estivessem monitorando seu choro? Era a estreia de um evento e não estava preparado para ficar ali, sozinho.
Seguindo pela mesma reta e sempre do mesmo lado, chorou lembrando da última em que estivera sentado e listou tudo o que deveria ter perguntado.
Chegando na entrada do edifício, preocupava-se com sua entrada pois havia sido enganado pela esperança, não havia ninguém ali. E se estivessem monitorando seu choro? Era a estreia de um evento e não estava preparado para ficar ali, sozinho.
O coração acelerou, as mãos suaram demais, tremeram e perderam 50% da precisão. As pernas não exerciam suas funções, sentou. Poderia ser uma doença crônica mas parecia algo mais sério: não havia mais nenhum local para dar vazão. Nem sequer uma nascente… e como é difícil achar um rio limpo em São Paulo.
city and color - what makes a man
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