06 março 2013

post-it I

incômodo

Desde ontem acordou para procurar os documentos. Embora fosse o exemplo vivo de desorganização na Terra, sempre perdia as estribeiras com a mania que a mãe tem de guardar os documentos todos juntos. Não queria que questionassem sua vontade, então aproveitou que todos estavam na cozinha para procurar.
Vasculhou todos os lugares, acabou o mistério, teria que desvendar tudo com um pedido "Mãe, preciso de um documento...". Voltou para tomar banho, lembrou da sua última consulta e o achou no meio das suas coisas. Glória!

Acordou quinze minutos mais cedo desejando apenas que todos dormissem até a hora em que dobrasse a esquina. Vontade inútil. Ao acordar já ouvia o movimento doméstico. Seu pai sempre acompanhava parte do percurso, por que seria diferente hoje?

Estava de mau humor. Era uma mistura de sentimentos, queria ficar em paz, não aguentava mais satisfações, queria se equilibrar em algo que fosse só seu e odiava quando todos os desejos beiravam a ingratidão. Não era isso...

Estava de mau humor, um dia antes o pai havia relutado um pedido simples. Tentando reparar a estupidez, voltou atrás "Quer que eu vá buscar pra você?". Palavra dada e nunca esquecida, é assim que funcionava "Não precisa não. Sempre me virei sem a ajuda dos outros" era a resposta dada em todas as vezes que o amargor toma conta de si e apaga toda a gratidão que carrega sempre no peito.

Ao sair, a despedida. "Vou te levar até o ponto!" merda... "Não vou pra lá, vou tentar marcar uma consulta" e assim todo o seu plano foi arruinado. Fora até lá sem sucesso, completou a lacuna do mau humor com uma frustração e foi trabalhar.

conversa

Botaram na mesa o que estava remoendo apenas um lado do diálogo. Não sabia como explicar: Como classificara seus amigos? Não havia muito o que nomear, as coisas vão acontecendo, se desenrolando e as amizades tomando forma.

livro

Por mais que passassem os dias, meses, anos, parecia que ainda haviam muitos receios em algumas conversas. Não queria desfazer o encontro, mas também não queria que compreendesse parte da sua preocupação como um tipo de frieza. Não houve risada, apenas uma manifestação sincera "Prefiro pegar a encomenda sem atrapalhar seus afazeres." 

Acreditava no que era dito "Tenho medo de que tudo isso seja visto como um pretexto." imagina. 
Ele, o silêncio, volta dizendo "Pra que isso?" e a entrega foi feita da maneira mais curta. No momento da troca, palavras corridas dentro de uma intimidade construída no contato ao vivo. Assim não há estranheza ou metade de uma má interpretação. Melhor assim.

pico

O regresso, trem lotado, nas cinquenta primeiras páginas do livro consegue entender o porque da indicação. Quando o destino se aproxima, observa o pai com sua filha no colo. Estão de pé.

Ela usa um óculos retangular rosa escuro e com as mãozinhas vai acariciando o rosto do pai. Os movimentos parecem involuntários, faz um carinho, boceja, outro, coça a cabeça com as mãozinhas furadinhas, encosta a cabeça no ombro do pai. "Tá dormindo?" ele pergunta, ela fecha o olho e finge mas o movimento do sorriso sapeca a denuncia.

Quando resolve despertar, desembesta a falar. É preciso tirar os fones pra saber o que diz, fala das luzes, fala da mãe, pergunta se pode comer bolacha quando chegar em casa e solta "Pai, nunca vou namorar, nunca vou pra faculdade." ele ri "Mas por que isso?" ela esbraveja "Na faculdade as pessoas namoram, e se eu não quero namorar tenho que ficar longe da lá!" o pai começa a gargalhar, solta um "ai ai" e ela continua com sua inquietação.

Não sabe dizer o porque, não tinha nada a ver com o diálogo mas começou a segurar o choro. A estação não chegava nunca e a gravidade não teve um pingo de compaixão. Quando aquela voz anunciou a próxima estação já era tarde, as lágrimas estavam molhando as duas bochechas. 

"Não quero entrar na faculdade, não quero namorar, não quero chorar quando for maior que você, pai."

lotação

A felicidade de sentar no último banco livre. Não iria dormir, a leitura que lhe arrancava um e outro sorriso bastava. Ao chegar perto de casa, aquele dilema em que todas as pessoas vão descendo e como sobram lugares vagos, você é obrigado a pular para o banco mais próximo e prosseguir a viagem sem nenhum passageiro perto. Antes seguia essa lógica, hoje pergunta "Por que?"

favor

Comunicou o acontecido "Eu havia dito que veria pra você cedo, não disse?" como era possível? "Disse HOJE, ontem não manifestou uma boa vontade..." Fecharam-se as caras.

Cresceu assim, eram cópias. Esbravejavam com as mesmas coisas, alegravam-se com as mesmas coisas, na maioria das vezes até as cobranças eram bem parecidas. Por que mudaria agora? Faça-me um favor (mas só o faça se for de bom grado).

post-it

Chegou em casa, guardou o bilhete que não era seu com todo o cuidado, pegou um post-it amarelo e escreveu

- incômodo
- dia
- conversa
- livro
-  volta  trem
- choro
- lotação
- favor
- bilhete
- post-it

releu a lista

- incômodo
- dia
- conversa
- livro
- trem  pico
- choro
- lotação
- favor
- bilhete
- post-it

e esvaziou-se.

17 fevereiro 2013

asa

Minha mãe dizia que eu precisava cuidar muito bem de tudo o que eu gostasse durante a vida. Eu tentei. Minha primeira frustração foi aquele bendito pássaro. Não me lembro qual era o seu "tipo", apenas que era cinza amarelado.

Não tínhamos jardim em casa, era apenas um pequeno canteiro nas laterais do nosso quintal. A vegetação nativa consistia em alguns pés de couve, uma roseira branca, uma vermelha, capim-santo e aqueles trevinhos azedinhos com três folhas.

Um dia, nesse quintal, meu pai fez com que eu aprendesse sozinho a arrumar a corrente da bicicleta. Convenceu minha mãe "Eu lavo essas roupas, mas ele tem que aprender..." e assim meio desengonçado consegui terminar o trabalho que me foi dado. No meio do processo todo, o bendito do pássaro apareceu, melhor dizendo, caiu no meu quintal.

Primeiro pensei em gritar, mas antes disso me contive e cheguei um pouco mais perto.
Deveria medir mais ou menos um palmo, estava assustado. Me olhava piscando muito, respirava com rapidez e se eu forçasse um pouco a vista, talvez conseguisse enxergar o movimento dos batimentos dentro daquela penugem.
"Cuide bem dele!" minha mãe disse. Era uma questão de honra, eu seria o seu herói, estava decidido.

No decorrer dos dias, fomos nos acertando. Eu acordava, conferia o ferimento, deixava água e comida bem pertinho para que ele pudesse ficar quieto com tranquilidade até o meu regresso.

Depois de alguns dias, eu pensava que já éramos amigos, confidentes. Não queria mais andar de bicicleta, ficar muito tempo longe dele. Conversava muito com ele e parecia até que havia um entendimento. Uma vez contei um caso que aconteceu na escola e tenho certeza de que aquele "piiiiiu piu piu piu" foi uma gargalhada.

Seu aspecto só melhorava, aos poucos foi ficando robusto, lindo, menos acinzentado e éramos praticamente cúmplices dentro de todo esse reino animal. Até o dia em que cheguei e ele não estava mais lá.

Primeiro pensei em gritar, mas antes disso fui conversar com aquela que fora a culpada de tudo isso. "Não foi você que pediu pra eu dedicar a minha vida para cuidar daquele pássaro?", falei engolindo o choro que mais parecia uma bola de fogo.
Com o maior dos sorrisos ela me disse que não foi bem assim, era pra eu cuidar de tudo o que eu gostasse durante a vida e agora, precisava entender que isso não faz com que tenhamos o controle sobre as coisas. E ainda mais, era preciso fazer sem esperar resultados.

Eu precisava esquecer toda essa história, pensar com lucidez e limpar o coração para tudo o que estava por vir, para o resto da minha vida.
"Não quero esquecer, não quero crescer, não quero mais nada." E ela dizia que aquele seria apenas o começo.



02 fevereiro 2013

tentativas

Comecei seis posts, nenhum vingou.
Cada um falava de uma agonia, um assunto, uma vontade que vem me acompanhando dia após dia. Depois de seis tentativas decidi que nada disso deve ser escrito: devem ser digeridos. Nenhum deles pareceu um conto, muito menos um desabafo, pareciam palavras soltas que se perderiam depois do post.

Já comentei com alguém ou já escrevi por aqui: os sábados são bem mais perigosos que os domingos.

31 janeiro 2013

de lado

~> editar esse post o mais rápido possível

21 janeiro 2013

destino

hoje, escrevi pra minha vida o que não consigo ouvir de ninguém.
só o destino pode apagar ou refazer: que assim seja.

16 janeiro 2013

+2

Algumas dezenas de dias se passaram, guardei as imagens na cabeça mas não me lembrava de nenhuma música daquele dia. Sempre tive mais facilidade para guardar rostos.
Indo ou voltando para o trabalho, não me lembro, reencontrei a moça pro aí.

Congelei

Fui atacado por um impulso, acelerei o passo para falar com ela. Como as pessoas se transformam no carnaval: andava pela calçada com uma cara séria, fones de ouvido entregavam que talvez estivesse ouvindo algo agitado: fazia gestos engraçados, um air guitar discreto onde os braços não faziam grandes movimentos. Gastei mas um bocado de tempo observando como andava, o que olhava na rua, o que estava cantando, pensando… 
De tanto pensar recuei "Oi, te vi aquele dia no bloco, quer dizer, na marchinha e você estava linda" nossa, que genial. Pensei em algo mais inteligente para falar e nada. Entrou em um restaurante. Marquei dia e horário e resolvi jogar a sorte no vento.

Mais fácil

Em uma dessas festas em que apenas evito a fadiga de um "Nossa, você nem foi" com minha presença, dancei um pouco, falei um pouco e fui pegar uma bebida. Encostei no balcão e aproveitei o momento em que posso ficar em paz com o meu silêncio.

"Ei, abre aqui par mim?"

Meu Deus, era ela. Indicava um corte pequeno no polegar "Gente, é terrível abrir essa long neck" e falava como se pedisse um favor a um amigo. Abri a cerveja, entreguei e ganhei um "Valeu mesmo" e um sorriso que mais parecia um smile do msn messenger. Fez uma reverência engraçada e saiu. Seria sorte a minha?
Antes de processar esse "reencontro", ela volta e pede novamente o mesmo favor. Acato seu pedido sem segurar o riso. Ela faz o mesmo agradecimento, vai embora, esquece a comanda no balcão, volta, pega a comanda, se despede novamente e vai. Anotei seu nome.

Seria sorte a minha?

Fui ao mesmo lugar mais algumas vezes, passei pelo restaurante, fui trabalhar, voltei, dormi, saí, fui tomar um café e "Olha quem está por aqui!" me achou! 
Agora não havia mais escapatória. Estava encantado desde as serpentinas, não havia mais o que negar. Dessa vez abriu um sorriso largo e perguntou se eu não respondia cumprimentos "Se você trocar mal educado por atrapalhado, mata a charada". 

Conversamos

E decidi que no próximo carnaval, estarei devidamente preparado. 
Chapéu, confetes, samba-enredo e você. 







12 dezembro 2012

Sorrateiramente entrava em casa, cantarolando baixinho a mesma música que tocava por ali. "Summeeeeertime time time..." fazendo filulas, passando os dedos sobre os desenhos da parede e admirando tudo por ali. Gostava de fazer isso, fingir toda vez que entrava em casa, ser um ambiente estranho para descobrir dia após dia, novos detalhes em meio a decoração que havia escolhido minuciosamente.
A casa cheirava almoço.
Escondeu-se atras de uma das paredes só para observar como tudo estava sendo feito, como cantava e fazia filulas mexendo tudo o que estava no fogão. São aqueles hábitos que você absorve da pessoa e nem toma conta. Riu pensando "Quem diria!".
Prestando atenção em todos os movimentos, decidiu gastar um pouco mais de tempo olhando e deixando-se levar por aquele clima de domingo. Sempre gostou dos domingos, planejava-os desde o princípio de tudo isso.
A música estava prestes a acabar e 

- Ei, você ouviu o que eu disse?
- Oi, sim, quer dizer, desculpa, tem alguém ouvindo Summertime por aqui...
- Acho que foi o toque de celular da mesa do lado, enfim, depois eu falo de novo. Quer pedir alguma coisa?
- Se tiver pão de queijo recheado e algum doce legal, pode trazer...

E foi andando.
Distantes. No intervalo em que levantou para buscar tudo, literalmente. 


03 dezembro 2012

Sobre aceitar

Uma vez, há alguns anos atrás, me contive com uma desculpa.
Uma desculpa que dizia "Olha, até pensei em você mas já havia falado com outra pessoa então... enfim..."

Ontem, assiti um filme que me surpreendeu. Fui naquela intenção de assistir algo que não mexesse muito com o emocional, que não exigisse tanto esforço mental para a compreensão e que me fizesse dar boas risadas. Fui surpreendida. Um filme lindo, uma trilha impecável, a fotografia, os assuntos...


"Nós aceitamos o amor que pensamos merecer." 


Com certeza marcou muitos que estavam ali assistindo.

Aceitamos o amor que pensamos merecer/ Aceitamos o desamor que pensamos merecer / Negamos o amor que merecemos, nem sempre por querer.

Não saber ser amado também é recorrente. 

Ser profissional em não receber amor, também.
É difícil amar, é difícil ser amado... 


Mas como é bom aceitar as cores

26 novembro 2012

Ciclos

Em uma conversa não tão antiga, ouvi "Nossos ciclos de amizade e/ou convivência são renovados em média, de 4 a 6 anos!". Depois disso comecei a notar as divisões e me pareceu bem coerente.
Primeiro foi a infância: aos 12 anos, eu e minha prima/irmã já não éramos mais farinha do mesmo saco.
Depois entre a infância/adolecência conheci pessoas que permaneceram até hoje "Sobreviventes: são esses que você precisa zelar e manter.", mas muitas outras passaram também.
Depois, o curso técnico. Poucos amigos em grande qualidade, permanceram para a minha surpresa.

Neste novembro reparei que mais um ciclo se encerra.
Com o término da faculdade já consigo contar em uma mão os que ficarão para contar histórias junto comigo.
Isso é normal, as pessoas passam. Isso eu aprendi sozinha, observando e convivendo.
As pessoas voltam, isso eu também aprendi sozinha, tendo que aceitá-las (ou não) de volta.
Algumas pessoas somem, para a graça do bom Deus, para facilitar toda a nossa vida.

Refleti sobre isso durante alguns dias por diversos motivos mas hoje, sei que bons amigos ficarão mais distantes, dois dos meus melhores. Pode ser drama, um vai para fora do estado, outro para uma cidade vizinha mas para esta que escreve tudo isso, que gosta de ter perto todos os que ama, sei que não será muito fácil.

Não há infelicidade, ambos darão um grande passo na vida e não consigo ser egoísta a ponto de ficar triste ou coisa assim. Torço para ser efetivada, tirar a CNH para visitá-los sempre que possível.

Aos que permanecem, é possível reparar que algum fato maior terá de intervir: são os "não perecíveis".

É gostoso amar as pessoas e o meu é dividido entre estes. Estejam aqui no bairro, na grande São Paulo ou fora do estado.

23 outubro 2012

não resolve

chorar não resolve
pedir ajuda não resolve
correr não resolve


chorar? não! resolve.
pedir ajuda? não! resolve.
correr? não! resolve.

caiu na roda
ou acorda
ou vai rodar

#30dias

15 outubro 2012

p a s s a n d o

Contrapondo todas as vontades de acabar logo com todos esses trabalhos e ficar de vez "numa boa", uma amiga disse: Aproveite, dedique o máximo de si, esse trabalho pode lhe render bons frutos!
O dela rendeu. Ela está certa.

Viver remoendo o passado, almejando o futuro sem aproveitar direito o presente: é essa a ordem natural das coisas, não adianta negar...

Toda vez que a situação aperta: #voltaférias.
Só pra encher o peito com a sensação de que depois tudo vai se acalmar...
E quando acalma, a gente trata de mexer.

24 setembro 2012

sobre a saudade

saudade de quando você esperava pelo final de semana

-kel, nós vamos no cinema?

saudade de quando você aparecia aqui

-posso só ficar sentadinho aqui do lado? não vou te atrapalhar em nada.

saudade de quando você desenhava carros

- kel, tem lápis?
- kel, posso riscar esse papel aqui, já está riscado um lado!


saudade de quando eu ganhava de você no need for speed underground

- pára kel, você só ganha!

saudade de quando eu te desafiava a falar todos os nomes dos carros que passassem depois da abertura do farol, enquanto esperávamos o ônibus

- mas eu falo só o modelo do carro ou tenho que dizer o fabricante também? se for com o fabricante eu não vou ganhar!

saudade de quando te levei em uma exposição de linguagem eletrônica

- nossa kel, fora essas coisas de luz e as de jogos, só tem coisa de doido né?

saudade de quando alugava dvd pra gente assistir a noite, no final de semana

- kel, faz aquela pipoca lá enquanto eu junto os sofás?

e falava todas as falas do rei leão enquanto assistíamos só pra te irritar

- PAAAAAARA KEL, já me arrependi, não quero ver mais
- beleza Bruno, vou parar
- sério?
- sério!

(...)


- eu rio na cara do perigo HAHAHAHA
- o mããããããe....

saudade de quando a distância não era tão grande

saudade de quando meu tempo não era TÃO meu

saudade de quando meu tempo podia ser nosso, nem que fosse só no final de semana

saudade de quando eu não sentia que perdi parte da sua vida, e não sentia que, ao longo desses anos de "crescimento", não formos irmãos do jeito que eu gostaria.

atritos de quem sabe que proteje demais, que deveria ter mais paciência, que deveria dar mais atenção e carrega consigo a culpa de não conseguir, hoje em dia, um espaço na tua vida pra demonstrar todo esse amor que está aqui.




- kel, você é grande, não deveria chorar. mas se você chora... eu posso chorar também.

mal sabia você que "gente grande" chora bem mais do que gostaria...

22 setembro 2012

sobre am arg ar

sobre am arg ar e salivar amar go
sobre amar gar e des a prender a 
amar gar


27 agosto 2012

aquele cheiro de sangue d
aquele que gosta
aquele que vai viver d
aquele soco, na ponta da faca

21 agosto 2012

half frame



compartilhando inspirações, admirando pétalas e dividindo insanidades - seguimos.
sem o romantismo presente em almejar uma amizade eterna ou duradoura: os dias correm, transformando o ontem em hoje, sem a audácia de planejar o amanhã (seja por preguiça, medo ou falta de tempo).
resolvi te escrever faz um tempo, mas não queria que qualquer palavra soasse gratuita.
também não queria algo pesado, que forçasse a barra, que falasse daquilo que não somos.


peitos abertos, insanos, sedentos, cansados de ambientes mornos.
a fome (sempre presente) de realização. fome de tudo o que possa transcender o eu, o agora, o outro, o meio...

assim somos


e caminhamos, enlouquecendo para colorir os dias: graças a Deus.

obs. primeiro post para uma amiga mulher.

25 julho 2012

v i v a

de todas as maldades, foi assim:
primeiro o riso, depois o choro
nenhuma morte, só feriu.

de todas os desagrados, foi assim:
primeiro o caos, depois a alforria
nenhum morto, nem ferido.

de todos os karmas, foi assim:
primeiro o "sim", depois o "nunca"
todos mortos, nenhum lamento.

de todas as alegrias foi assim:
primeiro eu, depois você (s)
dentre mortos e benditos (...) 

20 julho 2012

time tra
a
a
a


avel to learn
ur ~> secret life 
in ur mausoleum










01 julho 2012

+1

Um vez andando pela cidade, um senhor perguntou se eu poderia trocar meu casaco novo por um punhado de papéis coloridos picados.
Este velho está louco! pensei. Tentando responder com educação disse apenas que sentia muito frio e que a troca não me interessava. Sem pestanejar, se despediu, levou seus papéis e enfim me deixou em paz.

Voltando para a casa, quase fundi meu cérebro tentando entender qual era a lógica daquele episódio.
Conforto e proteção em troca de um punhado de papéis. Não fazia sentido.

Com o passar dos dias, o mesmo senhor me reencontrou e junto com os papéis havia um chapéu com belos detalhes. O senhor não está me entendendo, eu disse, não preciso de cores ou enfeites, meu casaco basta.
Com um tom desapontado na voz ele disse, é apenas uma troca meu jovem, não preciso do seu casaco cinza.



Foi embora.


Deixei pra lá, era melhor!

Carnaval...

Chegou o carnaval e na medida em que era protegido pelo meu casaco, era também alimentado pela preguiça de guardá-lo: havia começado a suar.
Naquele calor escaldante observei todo o tipo de descontrole pelas ruas da cidade, até que me deparo com uma marchinha. Marchinha mesmo, daquelas tradicionais que sempre tive vontade de participar, mas né, deixei pra lá.

Mudei meu itinerário. Voltei para a casa pela rua em que a marchinha seguia. Homens, mulheres, crianças e alguns velhinhos formavam a massa animada que saltitava entre os meios fios de linha branca pontilhada.
Dentre pulos e rodopios lá estava a menina mais bonita que eu já vi. Sorria descontraída, dançava despreocupada. Eu podia ver quando as ondas de som atravessavam seu vestido e dançavam junto com ela formando uma sincronia perfeita.

Não me viu.

A observei por quase todo o percurso, sorria gratuitamente para todos os lados e não pude saber se recebi algum gracejo ou coisa parecida. Me limitei a observá-la e sorrir toda vez que, sem querer, esbarrava em um, pisava no pé de outro e sibilava sem jeito, me desculpe. Ninguém achava ruim.

Senti vontade de gritá-la, ir até lá, puxá-la pela mão só para sentir de perto seu perfume. Ver de perto todos os detalhes de seu sorriso e sua feição enquanto fazia sua dança em volta do que até aquele momento, seria eu.



Meu casaco me incomodava.

Em fração de segundos, pareci indigno de sua dança. Seu sorriso pareceu corromper tudo que eu havia construído para mim, seus movimentos uma ode ao desconhecido e seu perfume, talvez dispertasse tudo o que nunca fui ou evitava ser até então.

Neste choque reparei nos punhados de papéis coloridos picados que ela espalhava em meio a multidão, e que em seu vestido havia um detalhe que combinava com um chapéu que eu já havia visto.
Papéis coloridos picados e um chapéu. A troca era essa. A troca que poderia fazer daquele dia, uma explosão de cores que tiraria de mim, um dia da minha rotina.

Recusei.

O senhor estava sentado do outro lado da rua e quando a marchinha cruzou a rua ele balançou de leve a cabeça para mim de forma indignada, mas depois achou graça. Só então entendi o recado.
Ele viu que entendi. Talvez até o carnaval que vem eu faça a troca só para poder dançar com ela, talvez eu corra ao vê-la cruzar a avenida láááá embaixo...

Vai ficar tudo bem, t
alvez eu deixe tudo como está... sei lá.




sharing colors


was it something I said?  - brandon flowers

12 junho 2012

pesa vinte e dois anos

querendo excluir os rascunhos, exclui 2 postagens. os rascunhos? continuam aqui.


22 anos.
quando pequena, pensava que com esta idade, teria casa, carro, um bom emprego e tudo mais. como é legal ser criança e viver fora da realidade


22anos
quando pequena, queria os vinte e dois anos porque quando jogávamos bingo na praia, eu amava dizer alto "dois patinhos na lagoa". era o único número que tinha graça fazer graça quando era sorteado

22 anos
tenho a casa dos meus pais, um mini-carrinho de controle remoto, a metade de um tcc, nenhum emprego e nenhum tudo mais

22anos
falta cor, falta velocidade, falta até saúde, tenho que admitir
muitos bocados para poucos espaços. sempre me preocupo em preencher o que estiver ao meu alcance, mas nestas férias o cansaço me segura e não consigo fazer muito. tudo vago



22 anos
dois patinhos na lágoa. lágoa que não seca nunca, que a saudade enche cada vez mais e deixa um patinho nadando e o outro à beira, medroso...


22 anos e a vida pra resolver com o último salário
22 anos e a vida pra resolver no mês de junho, antes que o ritmo do TCC volte e até lá, quero que tudo esteja próximo aos devidos eixos
22 anos e a vida pra temperar, antes que eu enjoe do gosto sem sal, pare de querer preparar tudo com carinho e comece a comprar comida pronta




22 anos e o tempo que me resta pra dramatizar enquanto tudo estiver uma merda
e o o mesmo tempo para explodir de alegria enquanto tudo estiver tudo ok.


terminar desenho e colocar aqui
in the mausoleum - beirut

27 maio 2012

caixa

arrumar o quarto
guardar os souvenirs
e sorrir...

cada um materializado de um jeito
e a curiosidade de saber como seriam os teus.

08 maio 2012

ódio que constói

nasss, pra que esse título?
não havia outro...


na minha vida, o ódio não construiu muita coisa. você sabe a dificuldade que tenho com esse sentimento. mas o post não é pra mim!
dividimos bobagens, amores, nos distanciamos pelo ódio. ódio necessário, diga-se de passagem. descobri com o tempo que consigo plantar coisas boas nas pessoas e hoje alegro-me de ver que isso realmente é verdade. não, não quero ser convencida, mas o nosso crescimento foi tão diferente daquilo que imaginávamos há anos atrás... 


inquietação por liberdade. libertar-se da visão alheia, do medo de quebrar uma imagem boa, de despreocupar-se com muitas coisas.
inquietação por liberdade. libertar-se do ódio, do medo de quebrar o paradigma de que nenhuma soma resulte num número par, de despreocupar-se em largar o ódio e dar lugar ao amor que sempre foi uma sede dentro da alma. que deixa assim besta mas que aniquila qualquer culpa, principalmente quando não existem mortos e muito menos feridos.

hoje - só isso importa. as coisas estão aonde deveriam estar. custamos mas aprendemos e continuaremos partilhando das "bobeirices" 



foi isso que o ódio construiu.
não precisamos um do outro, damos palpites mas sabemos que no fundo a lei é a seguinte "se eu quiser, foda-se" e digo com propriedade que vamos conviver assim!



(até que o próximo surto aconteça - cada um vá pro seu lado e cá voltaremos. de novo... e de novo... e de novo... )



nóis que avua! 

07 maio 2012

pode?

pode postar música? NÃO
pode repetir "na boa, ontem você..."? não

pode publicar rascunho do blog? nop
pode mandar rascunho por email? negativo
e spoiler? nada disso
e em inglês? 
e... dormir pode, vai lá





e engole a saudade

05 maio 2012

I still have a bag with mistakes and really deserve to use them 

03 maio 2012

to some friends

para um:

a sorte
sorte de encontrar-se ao deixar alguém que a pouco, foi como eu.
amigo é estar do lado. como o dia em que rios desaguaram num vento que antecedia o temporal de feriado

para outro:

a sorte, mas não só.
sorte e a coragem de se deleitar na leveza. com ela é mais fácil percorrer novos ares

29 abril 2012

sobre morder a língua - 1

daquelas promessas... quebradas
"só vou postar algo no blog, quando for sobre outro assunto!"


de não admitir certos gostos
falei disso com um amigo que recém mordeu a língua...



agora diz, quem não passa por isso?



26 abril 2012

comp.

- The kids in the art school said they would
- I don't want to give you up
- If I was scared?
- Eu vou te acompanhar de fitas, te ajudo a decorar os dias 
- Eu gosto da luz do sol, mas chove sempre agora
- I'm learning to open other doors, just before it rains

- I can't believe it's true
- Don't slow me down if I'm going to fast
- Talvez esqueça e cresça, sem você
- You throw away every other dream
- Our bodies get bigger but our hearts get torn up...








15 abril 2012

aguada

o rio 
daquela água, que não seca
"vezes tudo que não cabe no querer"


é, veja só.


my valentine - paul mccartney

13 abril 2012

- 10h/dia

os dias agora, com horas a menos
tempo de menos
saudade a mais



- cheddarterapia
- vídeos aleatórios

- chilli com norteña
- samba rock
- tardes registrando crianças
- listas e UM emoticon do whatsapp



we used to wait - arcade

11 abril 2012

não que

não que eu espere
nem pela bezerra, morte
não que eu desacredite
faça drama, sem norte


o dragão acordou
nem que cicatrize
nem que ao corte, volte



não que dormisse
nem menos forte
não que fechasse
volte, corte



shake it out - florence

06 abril 2012

comparação 1

(daquela mania de ficar arrancando casquinha de machucado)

- daí eu pensei, o que sou eu perto de você? 

- nada!


1- porque não está perto, se não...
2 - este tipo de comparação deve ser feita quando queremos comprar um produto, escolher alguém para uma vaga de emprego, restaurantes que oferecem o mesmo tipo de serviço... o certo seria agregar e não comparar (isso na MINHA concepção das coisas)
3 - nada, faz falta

01 abril 2012

~

nota: editar este post ~> falar sobre o que nasceu no dia 1 de Abril de 2012
Por um mundo onde o primeiro de abril fosse:

- Eu não posso!



ou coisa parecida

31 março 2012

out

Estava tudo certo. Havia saído de casa disposta a passar a noite bem.
Dançaria? Beberia demais? Sairia com o cabelo desarrumado? Não sabia, simplesmente foi.
Sabia que, ao chegar no seu destino, lembraria de novo e de novo e de novo... Tomou providências: por mais que estivesse com fome, pulou a coxinha daquele bar que sempre iam. Comeria depois e em outro lugar.

Ao chegar, notou que inconscientemente procurava pessoas que se quer sabiam da existência daquele evento. Achou engraçado até, encontrou os seus amigos e subiu.

No começo, a conversa entre as pessoas ali reunidas, demorou um pouco para fluir. Mas não se preocupou pois sabe que seu único dom extremamente desenvolvido, é a fala. Em alguns minutos, tudo entrou nos eixos.

Observou as pessoas, bêbadas, espontâneas, felizes, exageradas, tristes, reclusas... Reservou uma parte de seu tempo ali, só para observar estes contrastes, até que uma conversa se iniciou.


Deixou-se levar por tudo que foi dito, riu, contou anedotas, e começou a reparar no orador. No mesmo momento em que prestava atenção no que era dito, atestou que realmente não liga certos esteriótipos. Achou isso bom.
O momento mais "intelectual" da conversa surgiu quando ele perguntou sobre o que seria seu TCC, e relatou como poderia ajuda-la: jornalista.
Não havia interesse naquela conversa. Acompanhavam um ao outro e faziam daquele momento, algo agradável.

Houve uma hora em que uma bomba explodiu com o início de uma música. Explodiu apenas na cabeça dela. Ele continuava falando mas ela só ouvia aquele zunido. 

Ele movia os lábios, mas o som de sua voz era inaudível. Ela ria, concordava com a cabeça e durante aqueles pares de minutos, lembrou-se de quando ouviu aquela música em outra companhia, que sequer deve fazer esta mesma relação. Pensou por um segundo que deveria ter feito mais e quando estava quase pedindo licença para o orador, só para reorganizar as ideias e quebrar o acordo que fez consigo mesma antes de sair de casa, a música acabou.

Ela voltou para o assunto.
A falta não passou, mas ficou tudo bem.





28 março 2012

Guia para o sucesso de um bom TCC

- Seja objetivo: indecisão só atrapalha na escolha do tema
- Faça a escolha com amor: por um ano, o TCC será seu fiel companheiro
- Escolha um orientador que te complete no tema
- Organize bem os dias para a produção e os dias para o lazer (enquanto for possível)
- Tente fazer da paciência, um milagre da multiplicação
- Tenha paciência com os amigos, que estão na mesma situação que você
- Coma pelo menos umas bolachas: isso fará com que o tempo gasto com discussões do tipo "Não estou com fome, mãe" "Depois eu como.." e afins, seja usado para a produção do bendito trabalho
- Cultive os bons contatos: sabe aquele colega do irmão do amigo da sua tia que sabe tudo sobre o seu tema? Então...
- Tenha controle sobre o uso de redes sociais
- Se você for do tipo que o emocional fode com tudo: resolva a vida afetiva antes do TCC
- Se você for extritamente racional: vai que é tua, Tafarel!




suerte!



explanations - selah sue

24 março 2012

u

And u live in the future

And the future

It's >here<

It's bright

It's NOW



16 março 2012

Impressões

E se todas as pessoas que conhecemos ao longo dos dias, se relacionassem com a gente de acordo com o primeiro contato? Como as coisas seriam?

Eu nem saberia de você, depois daquele dia na galeria.
Te odiaria pelo resto dos dias, pela má educação no ônibus.

O contato seria similar: na espontaneidade de como nos falamos.
Considerando a duração, contaríamos como foi divertido envelhecer juntos (não me lembro do que eu fazia a 19 anos atrás).
Teríamos feito do colegial a coisa mais divertida e "fofa".
Seria o primeiro.

Tudo acabaria na escola. (2)
Tudo acabaria no SENAI. (3)
"Busted hair", e só.
Estaríamos juntos e as aulas de samba rock seriam as sextas.
Nos veríamos esporadicamente com a mesma empolgação nas pirações e eu não estaria neste estado colérico.

Mas não temos controle nenhum sobre essas coisas.

Para 75% da lista acima eu digo: ainda bem!

06 março 2012

#temp1

Sem saber explicar direito a sensação, adorava assistir de camarote aquela aparição onde, as risadas se formavam naturalmente e como a simpatia desenhava aquelas curvinhas.
Ouviu por muitas vezes, elogios de terceiro grau. Cada um num cenário diferente. Seja num churrasco com amigos, parque, caverna do batman ou na casa de uma amiga. Lembra-se claramente de como era sorrir com satisfação e dizer com convicção "Eu sei!". E realmente sabia.

Dizia que era uma mistura de admiração com a graça do coração (mesmo que um tanto receoso) acalentado. 
Gostava de compartilhar os dias, detalhar os causos, debochar de tudo e de ser piegas, sem vergonha nenhuma.
Disse também que daria uma rosa para saber o que escreveu naquele bloquinho, mas no fundo sabe, que deveria ser um resumo embriagado disso aqui.

#temp - post com validade perecível



eu não sou da sua rua - arnaldo
(meo gzuz...)

03 março 2012

2x Março

Há 366 dias, um meteorologista anunciou a previsão:

- Dias de sol com pancadas de chuva. Temperatura mín. de 180º de distância e máx. devido o alinhamento entre os eixos.

Na dúvida, coloquei na bolsa: biquini, galochas, óculos escuros, casaco de lã, guarda-chuva, vestido e um chinelo.
Assim segui pelos dias em que a previsão não batia com a vontade de Deus.
Assim segui até me deparar com um temporal, onde o vento corria mais que a luz.

O vento arrastou tudo, mas eu fiquei. Não foi por teimosia: eu tinha que ficar.

Nunca confiei em meteorologia, mas respeito a profissão.
São vocês que podem alertar  uma cidade inteira sobre alguns tipos de catástrofes. Honroso. Mas se ela tiver que ser devastada e toda uma população, destruída: não há esforço que segure.

Seguindo cronologicamente os fatos, dia 01 de Março de 2016 será um dia ensolarado.

01 março 2012

a massa

E com vocês: a massa!!!

Discurso gratuito de quem tem muita opinião pra dar: quem nunca viu?

"A massa elegeu isso!"
"A massa tem que sofrer mesmo. Se elegeu esse povo, tem que sofrer pra ver o que é bom. Gosto de ver gente passando fome, gosto mesmo!"

Só "a massa" caga em tudo?
Se o poder age de acordo com os próprios interesses, quem diz que somente "a massa" faz com que o relógio ande para trás?
Se a "massa estúpida" aprovou  e elegeu "governo Dilma" que "é uma calamidade", meu querido, você precisa rever muita coisa.


Não, não vou listar as pesquisas que registraram o resultado das eleições. 

Houve um fenômeno desconhecido por você, e seu mundo coberto de "molho de alcaparras com damasco", presumo. Um fenômeno onde suas companhias na high society formaram uma massa só, junto com "a massa".

Não estou aqui para dizer o que é ou não feitio d"a massa".

Não estou aqui para dizer o que é "a massa".
Não estou aqui para dizer o que o que "a massa" deve reivindicar. Afinal, se somos todos filhos da mesma pátria, a revolução precisa vir de todos os lados.
Não, não vim falar sobre como somos tomados pelo conformismo. Vim pedir que seus ideais sejam revistos e suas atitudes, questionadas, só isso. RECLAMAR que ninguém faz o que você também não se propõe, é fácil deixa o ego maior que uma baleia!

Fazer parte do (antigo 14%, atual) 25% de universitários, intitulada "parte privilegiada" não me deixa de fora de uma "Classe C", por exemplo. Não descola o rótulo de "povo", criado por vocês. Muito menos de "bandêjão", afinal, se não fosse parte da minha força de vontade, não seria bolsista no Centro Universitário (já conhecido) e estaria em alguma "uni da vida".

"Se ele faz isso, está recebendo o que merece. Tem que ter a mulher estuprada mesmo."

Muito me espanta, você que se diz tão libertário proferindo uma coisa dessas.


Pensamento elitista de merda (e veja, ressalto o "de merda" pois conheço algumas pessoas, que realmente fazem parte duma minoria bem privilegiada e não falam metade do que eu já ouvi destes teus lábios absurdos) e machista (afinal, se o cidadão fez algo de errado, por que não podem ir lá e foder com ELE? o certo mesmo é pegar a esposa? ah tá, entendi!).


Chico Buarque não iria gostar disso, sabia? Logo ele, o maior amante das mulheres, o mais romântico...

Se você sempre pensou esse tipo de coisa na vida, se já nasceu desse jeito... meus pêsames.



Se estou equivocada, mil perdões. Perdão esse que continuará neste post, mudar essa """impressão""" será algo difícil: é difícil educar a massa!

25 fevereiro 2012

7,5 galinhas dangola

- então, vai a noite?
- não sei... eu queria mesmo ver outra coisa!
- do tipo o que?
- do tipo algo que os meus amigos já viram... não quero sair sozinha de novo.

- quando? quanto?
- a tarde! mas não inventa, você tem compromisso. 

- mas só a noite, não consigo ir nos dois?
- olha, acho que até dá, mas vamos fazer assim: depois te aviso.
- já falei, vou contigo.

- ai, depois te aviso se quero mesmo ir, sério.
- vê depois por que?
- porque... enfim, não sei

- poderia ser em outra cidade, indo de bicicleta e pagando com galinha dangola, se você disser "vamae", dou um jeito.





pela redução do nível "meh" - vlw ae!


coração bobo/ pelas ruas que andei - alceu

a.lhei.o


- que pertence a outros
- estranho, estrangeiro, exótico
- distraído, alheado, absorto
- que está deslocado, impróprio 


falling down - muse


19 fevereiro 2012

"Yo entiendo todo, los silencios que gritan"

Não é nem pelo Carnaval e sua (es)Folia, mas faz quanto tempo que eu espero por um samba? Já perdi as contas... 


18 fevereiro 2012

Temperamento Sanguíneo



Eis que então, meu digníssimo pai chega em casa com uma tal lista: "Os quatro temperamentos humanos". Ele e minha mãe já haviam lido. Com a intenção de "arranjar assunto" ele pediu para que, aproveitando o momento em que estávamos reunidos, lêssemos a tal lista e disséssemos em qual temperamento cada um se encaixava.

Daí você se pergunta: "Pra que isso?"
Pois é, mas foi divertido. Engraçado perceber como fazemos de tudo para que o nosso ponto de vista seja compreendido ou coisas do tipo.

"Egocêntrico? Eu? Magina..." dentre outras classificações, foram negadas/admitidas/ discutidas/debochadas na roda.

Temperamento Sanguíneo. Essa foi a minha escolha para a família. Considerando que, meu irmão e minha mãe, deixam um pé no "Colérico".

Pra que falar disso? Esse tipo de coisa nos faz entender como realmente carregamos os genes dos nossos pais. Claro que ao longo da vida, sofremos mutações dadas a partir do resultado desta soma, que quer queira ou não, resulta num terceiro elemento denominado "eu" (ou você rs). As influências externas, o passar do tempo, as cores e tudo mais...

No meio das justificativas, foram necessárias definições de vários termos. Dentre eles, "compreensão". Ao dizer que eu seria, 50% compreensiva, todos negaram. "Quero um exemplo!" meu pai disse.
Ok, não havia nada mais passando pela minha cabeça. Não havia nenhum exemplo e eis que, decidi arriscar. E então:

"Olha, sou macaco véio, você sabe. Aquele dia, você chegou, rondando, mas não quis me falar nada. Falou com a sua mãe, que querendo ou não, sabe falar o que a gente quer ouvir.
Faz piada daqui, de lá, mas no fundo sabe bem porque não discutiu isso comigo ainda. 

Já até sabe o que tenho pra falar, mas prefere que eu não fale.  Minha pergunta é: quer logo a minha opinião para """encerrar""" esse assunto OU quer que eu fique quieto? E você sabe que o meu silêncio - e riu - é complicado..."

1) esse "é complicado dele" teria a mesma entonação de "é zica, malandro"
2) temos disso: quando um não quer ouvir poucas e boas, nem procura o outro.

"Não te criei para que as pessoas tivessem medo de você. Se isso acontece, VOCÊ fez algo errado...









ou então, é difícil de lidar com alguém que tenta, verdadeiramente (essa é uma palavra que ele fala bastante) compreender o que as pessoas tem de mais estranho...












mas ó, quando gostamos mesmo e achamos uma pessoa disposta a caminhar com calma do nosso lado, correr é a última coisa que passa pela cabeça... "


top yourself - raconteurs

12 fevereiro 2012

29 janeiro 2012

before the rain

Não dá pra ficar cantando essa porra de música toda vez.
Sempre chove, de novo e de novo e de novo...

#spgaroa

just before the rain - dutch

26 janeiro 2012

Primeiro dia na escola


Naquele tempo, esperávamos ansiosos pela volta às aulas. 
Na primeira semana, a vontade de usar todos os materiais comprados e eis que você deixa cair no chão, antes mesmo de inaugurá-la, a bendita caixinha de giz de cera.

Aquela sensação horrível de ver cada giz quebrado em duas, três partes...

Eu sempre quebrava e depois, perdia a vontade de colorir as coisas.





dog days are back - florence

23 janeiro 2012

acentuação

Uma vírgula e um ponto, gelam a espinha de mês em mês mas, não há o que se fazer até que tudo entre nos eixos...
Ao longo da vida, tento dosar as coisas, pensar em como otimizar os processos e facilitar (quase) tudo. Nesta dosagem algumas coisas transcendem; alguns delírios formam a irrealidade que nós teimamos em relevar.

Calma... coragem... não sei contar quantas vezes proferi discursos, levantei teorias que permeiam esta dupla de "cês". Cá estou de novo:

Tenha calma e coragem. "Construir" faria parte da frase a seguir - frase que se fez desnecessária: meu querer é muito óbvio.


 , . 



love will come through - travis

21 janeiro 2012

d a y t r i p p e r

(...)

Ele também encontrou forças para escrever e lançar seu primeiro romance, Olhos de Seda, um sucesso que recebeu muitos elogios da comunidade literária.
Aquela também foi a última vez que ele ouviu falar de seu bom amigo Jorge dos Santos. Até o mês passado, quando recebeu um cartão postal.



Ele atravessou o país para ser morto brutalmente pelar mãos de seu melhor amigo, que logo após tomou sua própria vida. Brás de Oliveira Domingos só fez o que achava certo. 


Ele tinha 38 anos e morreu porque acreditava na amizade.




the day - the roots

03 janeiro 2012

Bula

"Onde cicatrizou, ninguém mais corta!" disse o meu guru.
Enfraquecer diante do corte, de tanto sangue, é normal.

• Distúrbios nos sistemas sanguíneo e linfático: pra te situar;
• Distúrbios do sistema imunológico: pra você arranjar uma proteção extra;
• Distúrbios metabólicos e nutricionais: para ingerir só o que pode fazer bem;

• Distúrbios psiquiátricos: pra você, bem... descobrir de onde tirar autocontrole;
• Distúrbios do sistema nervoso: ~ b r e a t h e ~;

• Distúrbios vasculares: pra você aprender a poupar energias;
• Distúrbios respiratório, torácico e mediastinal: com o que você perde o fôlego?;
• Distúrbios oculares: pra ver se o pior cego, é mesmo o que não vê;
• Distúrbios auditivos: é possível ouvir o indesejável?;
• Distúrbios cardíacos: talvez seja preciso negar tudo o que você afirma;

(...)

Só sabe do alívio, quem muita dor sentiu, até sarar.

Só sara, quem conseguir tomar o remédio... mesmo com medo.

the words that maketh murder - pj harvey

29 dezembro 2011

vai!

por fora: vai!
por dentro: medo

by: rodney smith

the suburbs (continued) - arcade fire
obs.: parece até mentira, mas é o shuffle.

07 dezembro 2011

~

nota: editar este "post" -> falar sobre:


"Psico diz
relacionamento bom se constrói
a casa só fica do seu gosto se vc a desenhar
Kelen Lima diz
pois é
daí vc vai fazer o que?
construir, procurar outra ou viver de aluguel?
Psico diz
gostei das analogias rsrs
eu to tentando construir, mas não vou derrubar os muros dela pra construir os meus
melhor outro cara fazer isso..."

30 novembro 2011

Sobre não ser inconseqüente


Não sou do tipo de pessoa que vive perigosamente. Intensidade e inconseqüência são termos que adquiriram certo significado pejorativo (o que é uma merda).

Quando preciso fazer um relatório ou fichamento, dificilmente substituir “intensidade” no sentido de fruição dá certo: neste caso, não tem problema.

Um amigo gosta de me chamar de “Cuzona”. Quando comecei a disparar uma sequência de "nãos", ganhei o apelido.
Para as coisas que quero, ele diz ter admiração e não me lembro na última vez que me chamou pelo apelido carinhoso (onde cuzona é carinhoso e inconseqüente é pejorativo, coisa minha).

Não quero saber de agradar tudo e a todos, mas se for pra ser intensa e maltratar quem me ama, prefiro meu sangue de barata morta. Se for pra ser inconseqüente, adepta do “só não me arrependo do que não fiz” para mostrar pro mundo uma força que eu não tenho, prefiro ficar no meu canto.
Essa parte do sangue de barata eu dramatizei, também não sou altista, mas evitar algumas coisas foi um aprendizado que rendeu bons frutos e uma eficácia nos resultados.


- Resultados? Aonde minha filha? - Na vida, bebê!

“Respeito mútuo” eu li uma vez, nesse mundo onde ninguém liga pra isso. Onde piadas não são engraçadas e risadas imundas não são bem vindas (oi?)
Repeito? Mas por que diabos eu resolvi falar disso tudo mesmo?
Ah, lembrei, pra intensificar a inconseqüência de... rs

Ai ai ai viu > myeggs

nova baby – the black keys

12 novembro 2011

beautiful mess

Projeto atrasando, trampo faltando mas Reptilia* tem outro cheiro, outro gosto.
Quando eu pensei que seria assim? Falando que "Tá tudo bagunçado, mas tá valendo!"?

Quando? Me diz, quando?!?
Digo!

Quando?
Agora!


*reversi


reptilia - strokes



03 novembro 2011

Coragem

Coragem de fazer um post que fale de coragem, surgiu.
Falar de coragem é fácil, quero ver fazer o que aconselhamos "se eu fosse você..."


Hoje, soube de tudo o que já suspeitava mas só precisava de uma confirmação:
"Sim, estou deste jeito*" - e foi o que aconteceu.


Tempos atrás eu diria: Se liga, vá cuidar da sua vida assim assim e assado!
MAS eis que a consciência bateu aqui e ficou martelando...


"Vou parecer um tanto quanto bocó mas... tenta acertar isso!"


Por  que?
Porque foi o conselho** mais próximo do que eu faria***.




* reflexão: não existe mais nada teen?
** se fosse bom.. né?
*** FIZ


slow hands - interpol